A dança do ventre atravessou séculos. Já foi praticada por virgens ao redor de fogueiras, num ritual pela fertilidade da lavoura na Mesopotâmia, e por sacerdotisas em templos egípcios. Agora, graças à novela ‘‘O Clone’’, da Rede Globo, seus movimentos sinuosos viraram febre entre brasileiras de todas as idades. ‘‘Gosto das roupas, dos gestos, da música’’, diz a dona de casa Edith Nunes Brancaglione, 61 anos, adepta do modismo há quatro meses.
Até o meio do ano passado, a Cooperativa de Dança Carla Salvagni, em Moema, São Paulo, oferecia apenas dois horários para aulas de dança do ventre a sete alunas, em média, por grupo. O número agora dobrou. Para as iniciantes, a maior dificuldade é conjugar movimentos de quadris, braços, mãos, pernas e cabeça. ‘‘É preciso muita coordenação’’, afirma a universitária Katia Beatriz de Freitas Vieira, 20 anos, praticante de danças orientais desde 1999. ‘‘Quando comecei, parecia uma pata, toda desengonçada.’’ Quem a vê dançando hoje duvida que isso seja verdade. ‘‘É preciso dançar com os olhos, com a emoção’’, diz a bailarina Débora Agostini Guimarês, 21 anos. Ela vê com simpatia a divulgação da dança em horário nobre. ‘‘Só não gostaria que as pessoas vissem como uma dança vulgar.’’
A terapeuta Gláucia La Regina, autora do livro ‘‘Dança do Ventre – Uma Arte Milenar’’, também comemora a popularização da prática, mas teme que a procura possa estimular o aparecimento de profissionais pouco credenciados. ‘‘É conveniente procurar referências sobre a formação da professora antes das aulas’’, aconselha. (G.L)

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