Novos tempos, novo visual
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de setembro de 2002
Rosângela Vale<br> Reportagem Local 
As mudanças da economia vêm sacudindo o mercado e, cada vez mais, diversificando as relações de trabalho. A nova cenografia imposta pela globalização abriu os escritórios para agilizar a performance e, na era da internet, contratos são fechados via e-mail. Se os novos tempos pedem mais agilidade profissional, o clássico terno (ou tailleur para as mulheres) já não tem o mesmo peso de antes. Até nas empresas mais tradicionais, eles vem sendo substituídos por roupas casuais, abrindo o leque de opções e, por isso mesmo, dando mais margens a erros na hora de compor o visual.
Para lançar luz sobre esse novo cenário profissional, a editora Senac Rio de Janeiro lançou ''Estilo no Trabalho'', escrito pela jornalista Heloísa Marra e pelo produtor de moda masculina Júlio Rego, com modernas ilustrações de Filipe Jardim. Destinado a guiar quem está entrando no mercado de trabalho, o livro traz dicas de peças fundamentais no guarda-roupa atual, detalha tipos de camisa, calças, sapatos e colarinhos, indica os acessórios ideais, mostra as combinações possíveis e dá noções sobre as peças adequadas a cada biotiopo, além de dicas sobre etiqueta. (leia texto nesta página).
Segundo os autores, mais do que estilo, o visual é uma questão de estratégia para circular nesse ambiente de turbulências mundiais anunciadas no fatídico 11 de setembro, data oficial do início do século 21, de acordo com especialistas. ''Quanto melhor conhecermos os códigos do casual e do formal, melhor atuaremos. Não foi à toa que para se encontrar com os bombeiros de Nova York, o presidente George Bush trocou o paletó por uma jaqueta'', observam.
Os que pensam que aparência é tudo, entretanto, são candidatos em potencial ao fracasso nesses novos tempos. Com a rapidez na comunicação, o visual só se sustenta se houver resultado, afirmam eles, baseados em 60 entrevistas com profissionais de diversas áreas. ''Não adianta abolir o paletó e estacionar o carro numa vaga privativa, tirar a gravata e, ao viajar com seu pessoal, ficar num hotel 'x' enquanto seus colegas ficam no 'y'. Casualidade tem a ver com facilidade de acesso às pessoas e com trabalho em equipe'', escrevem.
Entre todas as transformações, Heloísa e Júlio lembram que a mais radical é a ameaça da quebra do vínculo psicológico com a empresa. Por isso, muita gente anda vestindo a própria camisa. Quase metade da população urbana do País trabalha sem carteira assinada, segundo estatística do IBGE. ''O futuro do emprego convencional está com a data de validade quase esgotada, mas o trabalho continuará a existir em outras bases como independência e poder criativo'', apontam os jornalistas.
Isso se reflete diretamente nas escolhas das roupas. ''O profissional do século 21 está saindo de um ambiente de grandes realizações profissionais e valorizando as conquistas pessoais. A tendência é cada um se vestir para refletir o que é'', observam. Apesar de ainda subsistirem, os estereótipos de algumas profissões não são mais determinantes e ninguém é obrigado a ficar engessado neles na hora de se vestir. ''O importante é planar com naturalidade nos diversos estilos'', afirmam.
Tendo esclarecido esses aspectos, os autores passam, então, a discorrer sobre a atual realidade de diversas profissões advogados, arquitetos, executivos, esportistas, médicos, chefs de cozinha, agentes de turismo e o povo da moda especificando o ambiente de trabalho e dando detalhes sobre as características de cada ''personagem''. Sempre complementando com dicas sobre o que adotar e o que abolir no dia-a-dia profissional. n
Agradecimento: Bom Livro


