Há algumas décadas era comum ser pai aos 20 e poucos anos. Hoje, no entanto, jovens pais precisam enfrentar – além dos desafios da paternidade – a surpresa e os olhares desconfiados por onde passam. De acordo com a psicóloga Amanda Seabra Pereira Leite, de Curitiba, essa mudança faz parte do processo de transformações que vivemos atualmente. "Antigamente, com 18 anos os homens já eram cobrados a saírem de casa para trabalhar e constituir família. Hoje
isso não ocorre mais. Aos 18 anos, muita gente não sabe ainda o que quer. É o que chamamos de adolescência tardia", explica.
Mesmo inesperada, em alguns casos, a paternidade acaba revelando jovens pais comprometidos, responsáveis e completamente apaixonados pelos filhos. O representante comercial Rodrigo Nicoluzzi Neto, de 27 anos, pai de Maria Clara, de 7, é um exemplo disso. Ele descobriu que seria pai aos 19. "Sei que muitas pessoas passam por isso e acham que é o fim da vida. A realidade não é assim, é um desafio a ser vencido, que só traz coisas boas", valoriza. "A maior vantagem de ter sido pai bem jovem foi o privilégio que tive de sentir e vivenciar um amor como esse, um sentimento tão grande, ainda tão jovem", acrescenta.
Para a psicóloga, dentre as mudanças dessa nova configuração social estão outros valores sociais e familiares, além das novas maneiras de relacionamento entre as pessoas. Prova disso é o novo papel do pai na sociedade, que vai muito além da função de provedor. De acordo com Amanda, se antes homens e mulheres tinham funções bem definidas, hoje o clima ainda é de incerteza. "Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, muitos papéis se inverteram."
Como resultado disso, Amanda Seabra vê como um dos maiores desafios dos jovens pais a questão da educação. "O ser humano vive um paradoxo de felicidade, com um discurso de liberdade e muitas possibilidades. E quem deve orientar em relação a esses desafios são os pais. São eles que dão esse norte aos filhos", diz. "Hoje a ideia de pai amigo, que vai para a balada com o filho, acaba despertando nesses pais um sentimento de desautorização."
O bombeiro Vinicius Mozer dos Santos, de 28, é pai de Fernanda de 3, e se preocupa bastante com a educação da filha. "Acho que esse é o maior desafio. Me espelho muito nos meus pais, no que eles me ensinaram e tento dar essa mesma educação para a minha filha. Acho isso essencial, pois é algo que ela não vai perder nunca", reflete. Rodrigo Nicoluzzi divide a mesma opinião de Vinícius e complementa: "Educar uma criança, tentar passar valores legais é difícil. Mas acho importante não deixar que a escola faça isso, que esses valores venham dos pais."

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O representante comercial Rodrigo Nicoluzzi Neto, de 27 anos, se tornou pai de Maria Clara (7) aos 19: "É um desafio a ser vencido, que só traz coisas boas"
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"Me espelho muito nos meus pais, no que eles me ensinaram e tento dar essa mesma educação para a minha filha", diz o bombeiro Vinicius dos Santos, de 28 anos, pai de Fernanda, de 3
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O estudante de jornalismo Daniel Brizola, de 20 anos, pai de Ana Luísa, de 4 meses e meio: "Quero que ela se inspire e tenha orgulho de mim"
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