Novos aliados no combate à gripe
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quinta-feira, 05 de abril de 2001
Por Mary Persia Agência Estado 
O verão se foi e a temperatura começa a baixar. Situação ideal para a proliferação da gripe principalmente porque as pessoas ficam mais tempo recolhidas em ambientes fechados e a doença transmite-se facilmente. Para reduzir o quadro epidêmico, comum nas estações mais frias, a vacinação, aliada a novas drogas, tem se mostrado eficiente. Um estudo conduzido pela infectologista norte-americana Kathleen Neuzil, da Universidade de Washington, comprovou que crianças de até três anos de idade que não foram imunizadas vão 35% mais ao consultório do que as que tomaram vacina, em média.
Realizada com 2 milhões de crianças durante 19 anos, a pesquisa, apresentada no mês passado a especialistas brasileiros, foi dividida em cinco faixas etárias (zero a seis meses, seis a 12 meses, um a três anos, três a cinco anos e cinco a 15 anos) e provou ainda que o consumo de antibióticos cresce entre 10% e 30% no inverno entre crianças que não tomaram a vacina.
Confusão Comumente confundida com outras doenças respiratórias, a gripe se diferencia pelo vírus causador, o Influenza, que tem características epidêmicas afeta várias pessoas por um determinado período e pelas potenciais complicações a que estão sujeitas as pessoas que o contraem da pneumonia à morte. A cada ano, de 15 mil a 20 mil brasileiros morrem em decorrência da gripe, mais de 80% deles idosos.
Quando alguém tem uma doença respiratória, ninguém investiga para saber do que se trata, destaca Eduardo Forléo, diretor médico do Projeto Grupo de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Vigigripe), vinculado ao Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). João Toniolo Neto, coordenador do projeto, indica os sintomas da doença: início súbito de febre, dor no corpo e mal-estar generalizado. Se a pessoa está bem e, de repente, começa a apresentar fortemente esses sintomas, é muito provável que seja gripe. O diagnóstico tem 70% de acerto, afirma.
Há sete anos, o Vigigripe tem estudado e sistematizado informações sobre a circulação do Influenza pelo País. Atualmente, são 80 centros colaboradores espalhados por 22 municípios em diversos Estados. A maioria está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, principalmente no Estado de São Paulo. Do Norte e do Nordeste tempos poucas informações, mas sabe-se que, no Sul e Sudeste, o Influenza se prolifera principalmente entre junho e julho, além de casos esporádicos a partir do fim do outono.
Vacina Para combater o vírus da gripe, a vacina tem se mostrado uma grande aliada. Ela é feita com vírus inativos, mortos e, devido às constantes mutações do Influenza, ela é alterada todo ano, com base nos três principais tipos de vírus em circulação, definidos pela Organização Mundial de Saúde. Por isso, também é importante reaplicar todo ano uma versão mais atualizada.
Os idosos merecem atenção especial quanto à vacinação. A partir dos 60 anos de idade, o organismo começa a padecer mais facilmente de outras doenças que, somando-se à gripe, podem ter sérias consequências. Quem sofre de doença crônica preexistente, como asma, problemas cardiovasculares e deficiência imunológica, também deve redobrar os cuidados.
Anualmente, mais de 150 milhões de pessoas são vacinadas em todo o mundo. Mas, mesmo com essa importante arma à disposição da população, há quem se recuse a esse procedimento, com medo de complicações. Forléo esclarece que a febre só acomete 1% dos vacinados, e reações mais graves são muito raras. Os efeitos colaterais são comuns a outras vacinas e duram, no máximo, 48 horas. O temor é infundado, mesmo porque a doença é potencialmente muito mais grave do que a vacina, salienta.
A vacina leva duas semanas para fazer efeito. Para quem acredita que ela não seja muito eficaz, o médico argumenta ainda que é muito difícil um leigo mensurar essa eficácia, pois não tem meios de diferenciar uma gripe de um resfriado ou outra patologia. Se a pessoa pensar que a vacina vai proteger contra qualquer doença respiratória, vai se frustrar. É como vacinar uma criança contra catapora e não querer que ela pegue caxumba.
O programa brasileiro de vacinação contra gripe foi criado através da cooperação entre a Sociedade Brasileira de Geriatria, governo e o Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp. Agora, essa aliança tem um novo e importante resultado: o programa de vacinação contra pneumonia. Inicialmente, será em nível estadual (São Paulo), a cada cinco anos, para a população de risco (idosos, cardíacos, diabéticos, portadores de doenças pulmonares e pacientes com internação no ano anterior). A triagem será feita durante a campanha de vacinação contra gripe, que começa no dia 19 de abril, esclarece Toniolo.


