Novo tratamento
Entre os avanços apresentados recentemente no 57º Encontro Anual da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, em New Orleans (EUA) destaca-se o lançamento da nova terapia anti-IgE que será lançada no Brasil e no mundo ainda este ano. Trata-se de um medicamento que age bloqueando o anticorpo IgE, que está envolvido no desencadeamento dos quadros alérgicos. O tratamento baseia-se em uma injeção subcutânea da medicação a cada 2 a 4 semanas de acordo com os níveis de IgE no sangue do paciente alérgico, afirma o médico Clóvis Galvão.
Um outro aspecto apresentado foi a discussão sobre a imunoterapia. Mais conhecida como vacina contra alergia, a imunoterapia é um tratamento que pode ser indicado nos pacientes alérgicos cujas causas foram identificadas. Os extratos utilizados nas vacinas têm-se tornado mais puros, conferindo maior eficácia a este tipo de tratamento, utilizando-se técnicas de biologia molecular, que trabalham com material genético, para que se desenvolvam vacinas com alérgenos sintéticos.
É importante ressaltar que para alguns pacientes as vacinas são o principal tratamento. Poucos sabem, mas uma única picada de insetos como abelha vespa ou formiga podem levar até a morte por choque anafilático, mas nos pacientes que têm indicação clínica de vacina, cerca de 98% destes não apresentaram mais reação alérgica, afirma Ana Paula Moschione Castro, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.
É bom lembrar que não existe vacina para todos os tipos de alergia. E que também não é simples identificar qual é a parte do alérgeno que causa as reações no organismo. Os estudos mais recentes têm concentrado esforços para descobrir qual a parte da proteína que causa alergia, para que seja elaborada uma vacina mais eficaz. Existem extratos disponíveis para ácaros, alguns fungos (bolores), alguns animais como gato, pólens e insetos como abelha vespa e formiga, afirma a alergista Inês Cristina Camelo Nunes, do Hospital São Paulo.
Uma outra novidade é que as primeiras vacinas contra alérgenos alimentares começam a ser estudadas nos Estados Unidos. O alimento escolhido foi o amendoim, pois trata-se de alimento importante na culinária americana. Embora os estudos sejam ainda iniciais, esta pode ser a primeira etapa para o surgimento de vacinas mais adequadas para a realidade brasileira, como para aqueles que têm alergia ao leite ou para os que adoram frutos do mar, como o camarão, e que provoca alergia em número significativo de pessoas. (Da Redação)





