Aplicativos de celular ou tablets, sites de relacionamento, redes de interatividade. O mundo moderno traz uma gama de possibilidades para que você faça tudo no conforto da sua casa, até mesmo aulas regulares para aprender novos idiomas sem depender de professores, materiais de papel ou horários preestabelecidos. A possibilidade de interagir com nativos da língua que você está estudando em plataformas específicas para estudo de idiomas está atraindo pessoas de todas as idades. Para o professor do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (UEL), que fez mestrado europeu de Engenharias de Mídias em Educação, Rodrigo Munhoz, o alcance fácil de idiomas que muitas vezes não são muito comuns em escolas de línguas está atraindo mais pessoas a buscarem esse contato cibernético com outras culturas.

"Antigamente, e não faz muito tempo, era muito difícil e caro conseguir um filme ou uma música em alemão, em francês, ou algum outro idioma. Hoje está tudo aí, ao alcance de um clique. A interação com falantes do idioma que estamos aprendendo também é uma realidade. Alguém que quer praticar italiano, por exemplo, pode encontrar um contato para conversar por uma rede social. Podem usar as ferramentas de chat e até mesmo, por meio de uma câmera e um microfone, conversar em tempo real com áudio e vídeo, a quilômetros de distância", afirma.

Segundo uma pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no ano passado, o Brasil é o 72º colocado no ranking de inclusão digital no mundo. Isso significa que 51,2% da população tem acesso à internet de alguma forma, o que possibilita o contato com novas ferramentas de educação. "O impacto dessas novas ferramentas na aprendizagem é certo em um aspecto: a motivação. Justamente por causa desse fácil acesso e dessa interação, alguém aprendendo uma língua estrangeira sente-se motivado desde os níveis mais básicos porque percebe-se em situações práticas e reais de uso", observa Munhoz.

Se o aluno quiser aprender sozinho, no entanto, é necessário ficar atento ao tempo que ele vai dedicar ao estudo da língua e fazer uma avaliação se realmente está funcionando estudar sozinho ou se compensa buscar uma escola ou professor para ajudar no aprendizado. "O aluno deve ser consciente da sua implicação na sua própria aprendizagem. De nada adiantará baixar um aplicativo no celular se a pessoa não usá-lo corretamente e regularmente, ou pior ainda, se ele nunca for usado. Ninguém aprende com um livro fechado", ressalta.

Uma possibilidade é começar a ter contato com uma língua estrangeira pelas ferramentas da internet para saber se é realmente o que o aluno deseja aprender. Assim, o investimento é menor e depois, com o início de uma aula regular, a pessoa já teve contato com a língua, o que pode facilitar o aprendizado. "O papel do professor é importante. Pode-se aprender sozinho, mas seu papel ainda é indispensável. O professor sempre será alguém mais experiente nesse processo de aprender um idioma. Alguém que já trilhou caminhos que outros estão começando a percorrer. E ainda que o professor não conheça muito de tecnologia, ele é o especialista da matéria e seu papel deve ser o de avaliar pedagogicamente esses recursos", conclui.

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