Nas tardes de quarta-feira, donas de casas, jovens e mães com o rebento a tiracolo se reúnem na Associação das Mulheres Batalhadoras do Franciscato, zona sul de Londrina, para transformar retalhos de tecidos em simpáticas peças de utilidade doméstica. Desde o início do ano, elas aprendem a combinar cores e a dispor os pedaços de pano de forma harmoniosa, descobrindo os segredos do patchwork, com alunos de Artes Visuais da Unopar. A iniciativa faz parte do Projeto Meio Ambiente, que o curso desenvolve em diversos bairros de Londrina.
A professora Elisa Gerais Greca explica que a recuperação de retalhos é feita com sobra de tecidos, basicamente cetim e algodão, doados por duas empresas da cidade. Como a maioria das mulheres já sabe costurar, o projeto estimula, sobretudo, a criatividade. ‘‘No começo, elas estavam inibidas, mas agora a empolgação é tanta que trazem tudo montado de casa’’, conta.
A especialidade da turma são os pegadores de panela, vendidos a R$ 5,00. Mas elas produzem também suporte de mesa para panelas com tecidos recortados formando bordados (R$ 6,00), aparadores de porta (R$ 6,00) e almofadas (R$ 7,00), cujo enchimento também é feito com material reaproveitado – isopor vindo da separação de lixo feita no bairro.
Sônia Liasch, uma das alunas participantes do projeto, aprendeu na infância com a avó a mexer com retalhos. Acompanha as mulheres desde o início dos trabalhos e está satisfeita com os resultados. ‘‘O que me motiva é que elas vêm com vontade de aprender. O pouco que a gente passa para elas é muito’’, diz Sônia, enquanto ensina como franzir o tecido para formar as encantadoras flores de fuxico.
As peças começaram a ser vendidas recentemente em bazares beneficentes. A estréia foi no calçadão, às vésperas do Dia das Mães. ‘‘Os interessados também vêm até o bairro para comprar’’, observa Sônia. O dinheiro obtido com as vendas é dividido da seguinte forma: 50% para a instituição repor os materiais utilizados (linha, agulha, tesoura, peças das máquinas e tecido de acabamento) e 50% rateado entre as mulheres.
A dona de casa Leigila Aparecida Martins Gabriel, 42 anos, participa da Associação há dois anos e a venda de artesanato era a única renda da família até há pouco tempo, pois o marido estava desempregado. Agora que começou a trabalhar com retalhos, ela já faz planos maiores. ‘‘Eu e mais três amigas queremos montar uma microempresa, uma lojinha quem sabe’’, revela. Motivadas, elas têm se esforçado para aprender e produzir o máximo possível. ‘‘Às vezes, trabalhamos até meia-noite para trazer tudo montado na quarta-feira’’, conta Leigila, que está empolgada com o projeto. ‘‘Estou amando. A gente tem tantos problemas que se ficar em casa matutanto, enlouquece. Isso aqui é um remédio, em todos os sentidos’’, define.
A Associação das Mulheres Batalhadoras do Franciscato funciona na Rua Tadao Ohira, 325 – Jardim Perobal.

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