Nova vida para os ossos
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Reportagem Local 
Comum nos Estados Unidos e ainda recente no Brasil, o ácido zoledrônico em solução injetável já beneficiou mais de 100 pacientes em tratamento no Instituto Elo, em Londrina. O novo medicamento é usado apenas uma vez por ano, ou até a cada dois anos, dependendo do caso, eliminando a necessidade da reposição de cálcio e alendronato, substâncias que entram na fórmula de remédios caros e que exigem alguns cuidados para ser absorvidos pelo organismo.
O médico ortopedista Júlio de Castro Neto alerta que as mulheres não estão atentas para o perigo representado pela osteoporose no período pós-menopausa. ''Após os 50 anos, uma em cada duas mulheres vai ter fratura de quadril. Isso, em comparação, é como se fosse uma 'epidemia'''. O índice é mais alto do que a incidência de câncer de colo de útero, por exemplo. ''Entre as mulheres a partir dos 65 anos que sofrem uma fratura de quadril, 21% morrem no período de um ano. Com o envelhecimento e aumento da população, a incidência de fraturas de quadril em mulheres deve crescer 240% no mundo todo até 2050.
Segundo o especialista, a osteoporose é mais comum em mulheres brancas, de estatura baixa, na pós-menopausa ou que passaram pela cirurgia de retirada do útero. ''Somente 22% dos casos de osteoporose são herança genética'', acrescenta. Como a instalação da doença é lenta e imperceptível, muitas delas só vão saber que têm osteoporose quando sofrem uma fratura. ''As mulheres deviam fazer exames periódicos para verificar a saúde dos ossos. Nos Estados Unidos já não se fala mais em osteopenia (estágio inicial da osteoporose). Da mesma forma que não existe princípio de pneumonia, não existe a quase osteoporose'', alerta Castro Neto.
O novo tratamento é feito em Londrina, na própria clínica, e a paciente precisa fazer alguns exames prévios para avaliação do estado de saúde. Há restrição somente para quem apresenta problemas graves nos rins. O medicamento é injetado na veia como um soro, de 30 a 40 minutos, com acompanhamento médico. Em seguida, a paciente é liberada. ''Em 45 dias, o organismo da paciente estará formando osso novamente'', diz o ortopedista.
Uma pesquisa divulgada pela American Society of Bone and Mineral Research, na Filadélfia (EUA), indica que a renovação óssea pode permanecer por até 12 meses após o tratamento. Na publicação da pesquisa, o presidente do comitê diretivo do estudo da University of California, em São Francisco (EUA), Dennis Black, declarou que ''os dados sobre eficácia e segurança do medicamento mostram, pela primeira vez, que as mulheres podem ter a opção de um tratamento de administração anual para a osteoporose e que o medicamento as protege de forma eficaz contra fraturas como as de quadril, que podem ser debilitantes''.
Pilates é um aliado
Prevenir e até se recuperar de problemas relacionados ao comprometimento dos ossos (osteoporose) e ainda praticar atividade física que promove equilíbrio entre corpo e mente. A proposta está no Pilates que bebe na fonte da yoga, da meditação e dos exercícios gregos e romanos, entre outros, e se baseia em concentração, respiração, alinhamento, controle de centro, eficiência e fluência de movimento.
Já conhecido pelos benefícios que proporciona em bem-estar, saúde e melhor qualidade de vida, o Pilates também pode ser o caminho para pessoas da terceira idade que lutam para manter a saúde dos ossos.
A fisioterapeuta Luana Blanco explica que o Pilates modificado é seguro para pacientes com perda de massa óssea e para prevenir esse problema, aliado aos hábitos de vida saudáveis e tratamento médico específico.
O Pilates modificado, como explica Luana Blanco, ''é um programa de inúmeros exercícios específicos para pacientes com osteoporose''. As aulas costumam ser individuais ou em grupos com profissionais supervisionando cada exercício. A vantagem é que a atividade física pode ser desenvolvida atendendo às necessidades específicas de cada aluno. ''Até agora, não vi casos que apresentassem contraindicações porque cada pessoa é vista e tratada individualmente. Alguns exercícios se aplicam a determinadas pessoas, e a outras não'', e sempre respeitando os limites do corpo'', afirma Luana.
Atletas ou sedentários, todos podem fazer os exercícios como condicionamento e também como prevenção de lesões. O método trabalha com performance atlética, reabilitação e pós-reabilitação (após o tratamento fisioterápico), com pessoas idosas ou jovens com lesões nas articulações, dores crônicas na coluna, hérnia de disco, lombalgias, tensões musculares, desvios posturais. Mas o profissional tem de ser capacitado para identificar as contraindicações referentes a cada patologia.
Desconfie dos preços baixos
O boom da prática do Pilates permitiu a ampliação do acesso ao método, mas resultou em distorções de mercado. ''Essa corrida acabou por trazer do método sem qualidade. Tem gente que faz cursinho de internet ou workshop de final de semana, torna-se professor e ainda acaba dando cursos de Pilates'', denuncia Alice Becker, pioneira na introdução do Pilates no Brasil. ''É uma técnica séria, profunda, complexa e que exige muito estudo e prática. E isso para o profissional que já tem experiência anterior de trabalhar com o corpo'', completa.
Como o ensino de Pilates ainda não é regulamentado por lei, não há fiscalização. E nesse caso, até o momento as exigências têm sido feita pelos próprios centros de especialização e certificação de Pilates que exigem a formação prévia do profissional interessado (Fisioterapia, Educação Física ou Dança). Os centros são reconhecidos pela Pilates Method Alliance (PMA), com sede em Miami, instituição internacional para formação e educação em Pilates.
Além da universidade, o profissional passa por rigorosa especialização e certificação, etapas de longa duração e de custos altos. As reciclagens muitas vezes são ministradas em outros estados, algumas no exterior. (Fone: 43 3325-8528).


