Nova medicina antiga
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sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Vista até certo tempo atrás com desconfiança pela população e até mesmo pela comunidade médica, a homeopatia, técnica que trata o paciente por meio de medicamentos feitos à base de recursos minerais, vegetais e animais bem diluídos, vem ganhando força e se mostrando um método eficiente para o tratamento de transtornos funcionais leves e até de doenças mais estruturadas e graves.
Mas a história da homeopatia não é tão recente quanto sua aceitação. Ela surgiu em 1796, quando um médico alemão chamado Samuel Hahnemann, descontente com a medicina tradicional, decidiu experimentar outras formas de melhorar a condição dos doentes. De lá para cá, existem várias histórias de sucesso da homeopatia. O próprio Samuel controlou, em 1799, uma epidemia de escarlatina com um medicamento homeopático chamado de Belladona. Em 1813, tratou doentes de tifo em Leipzig e obteve a cura de 178 dos 180 casos tratados. No Brasil, desde 1990 a Associação Médica Brasileira passou a aceitar a homeopatia como especialidade médica.
Como funciona A base da homeopatia é simples. Ela trabalha com o princípio da semelhança, ou seja, uma substância que causa os sintomas de uma doença em uma pessoa sadia pode ser usada em doses mínimas para curar esses sintomas em um indivíduo doente que apresenta os mesmos problemas. A médica homeopata Rosana Mara Ceribelli Nechar diz que, dessa forma, o remédio estimula o sistema imunológico do paciente. ''O remédio homeopático é diluído e otimizado. Ele é feito por um processo chamado de dinamização, que libera a energia latente da substância para que ela aja sobre a energia do paciente'', explica.
Para a homeopatia, a doença nada mais é do que um aviso de que a energia do corpo está desequilibrada. Realinhar a energia corporal seria, então, a melhor maneira de atacar o problema. ''Na homeopatia tratamos o paciente e não a doença'', completa Rosana. Para isso, o médico deve ser um ótimo clínico para conseguir detectar sintomas pela ausculta, tato e visão, e usar seus conhecimentos de homeopata para descobrir o fator desencadeante do problema do paciente e sua gravidade.
A homeopata e pediatra Sandra Barata diz que muitas vezes as doenças são causadas por fundo emocional. ''O médico deve saber reconhecer que muito mais do que um problema físico, às vezes a pessoa está com problemas psicológicos que devem ser tratados também, porque senão a doença volta'', comenta.
É dessa forma, considerando a enfermidade como um problema do corpo todo e não somente de um órgão isolado, que a homeopatia tem ganhado cada vez mais adeptos. Mas ela não deve ser considerada uma substituta da alopatia, que é o tratamento convencional à base de medicamentos químicos. Rosana afirma que certas doenças lesionais graves, como o câncer, precisam da alopatia para o tratamento. Nesses casos, a homeopatia funciona como um complemento do tratamento convencional. ''Nos casos mais sérios, a homeopatia é usada para trazer alívio ao paciente, uma vez que melhora sua energia'', afirma.
Sandra diz que os casos onde a homeopatia mais obtém sucesso são as alergias e doenças emocionais, principalmente em crianças. ''Geralmente as crianças não gostam de tomar os remédios alopáticos porque eles têm um gosto ruim e são difíceis de ser ingeridos. Os homeopáticos para crianças são feitos com açúcar e elas gostam de tomar o medicamento, o que ajuda no tratamento'', comenta. Cuidados Mas é errado imaginar que os remédios homeopáticos podem ser tomados sem o acompanhamento de um médico especializado. A fórmula que funciona para uma pessoa pode causar efeitos colaterais ruins em outra com o mesmo problema. Isso porque os remédios são feitos na medida exata para cada caso, onde se leva em conta o problema e seu desencadeante, que pode mudar de pessoa para pessoa. Na consulta, o médico irá avaliar a condição do paciente e a composição e potência ideais para o remédio, que é individual. '
'A consulta com o homeopata é igual à qualquer outra. O médico faz perguntas sobre os sintomas, sobre a vida do paciente e, se necessário, também pede exames de laboratório para elaborar o remédio correto. É errado acreditar que os medicamentos podem ser tomados sem prescrição'', alerta Rosana.
Atualmente, existem três mil remédios hoemopáticos registrados e aprovados pelo Ministério da Saúde e pela Associação Brasileira de Farmácia e Homeopatia. Como qualquer outro medicamento, os homeopáticos devem ser guardados em local adequado e só devem ser comprados em farmácias de manipulação com a presença de um farmacêutico especializado. n


