Nova geração resgata a arte dos retalhos
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quinta-feira, 28 de setembro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Utilizado antigamente por colonizadores norte-americanos para aproveitar os restos de tecidos e ajudar a espantar o frio típico do inverno dos EUA, o patchwork, ou quilt, como é conhecido no resto do mundo, ganhou ares de requinte e invadiu até as casas mais modernas.
Ele está presente na cozinha, no quarto, no banheiro e também nas produções de moda. ''Antigamente, o patchwork era feito para segurar a lã de carneiro dentro das peças. Hoje os tecidos são escolhidos a dedo, para garantir a harmonia e a combinação das cores e estampas'', diz a artista plástica e professora Samar Kauss, que dá aulas de patchawork na Art e Décor.
Segundo ela, a técnica sempre foi popular em quase todo o mundo e ganhou força no Brasil depois que a globalização trouxe informações e idéias. ''Como nossa colonização foi feita com a vinda da Corte Portuguesa, o que tínhamos aqui eram peças feitas com renda e outros materiais sofisticados. As pessoas não precisavam e não sabiam como aproveitar os retalhos'', conta.
A variedade de revistas e livros que ensinam a trabalhar a técnica de costurar retalhos é tanta que, de acordo com a professora Noêmia Arabori, que dá aulas na Casa de Cultura, algumas pessoas conseguem aprender sozinhas. ''Ou então elas fazem um curso básico, de 15 horas, e depois vão se aprimorando com as publicações. Geralmente se começa copiando e com o tempo dá para criar as próprias peças e desenhos'', diz.
Para definir e harmonizar as formas, as professoras garantem que é necessário um pouco mais do que criatividade e prática com as agulhas. ''É preciso utilizar conhecimentos de geometria, matemática. A concentração é bastante exigida. Além de ser uma terapia, o patchwork é um exercício para o cérebro'', garante Noêmia.
Seja pela beleza, seja pelo prazer de ter em casa coisas feitas pelas próprias mãos e exclusivas ou pela necessidade de aprender algo novo, esse curso é um dos mais procurados nas escolas de artesanato. ''O patchwork faz parte do universo feminino. Ele alia o raciocínio, linguagem lúdica, colorido, além de ser útil, servir como opção terapêutica e para presentear'', comenta Samar.
A popularidade das peças de retalhos pode ser comprovada pelo perfil das alunas, que vai desde mulheres que trabalham fora até senhoras e jovens. Cada uma tem uma motivação. As garotas querem aprender para fazer coisas para elas, as senhoras geralmente gostam de aproveitar o tempo livre e as mulheres de meia-idade usam como uma atividade que dá prazer e até um dinheiro extra. ''O patchwork foi resgatado pela nova geração'', completa Noemia.


