Quem tem não sente e quem percebe fica constrangido de avisar. Esse é o problema do mau hátito. Mas agora surgiu um ''dedo-duro'' que aponta com precisão se pessoa sofre ou não de halitose sem ficar envergonhado: é o aparelho suíço Halimeter, que está sendo usado em Londrina há cinco meses. ''O Halimeter demonstra em calibragem o grau de mau hálito e sua origem, mas não mostra a causa'', esclarece a cirurgiã-dentista Flávia Carneiro de Mendonça Sanches.
O exame é simples e totalmente indolor: um canudinho igual ao usado para tomar refrigerante é acoplado em uma magueirinha que é conectada ao aparelho. ''Esse canudinho é introduzido na boca do paciente, mas não é preciso se assustar porque ele não chega até a garganta'', explica Flávia Carneiro. Segunda ela, essa técnica detecta seu o problema vem da boca, do estômogo ou do fígado. ''Para diagnosticar se a origem da halitose é pulmonar, o canudinho é introduzido no nariz enquanto o paciente respira forte'', acrescenta a dentista.
Flávia Carneiro afirma que em 90% dos casos, o mau hálito vem da boca e apenas 1% do estômago. Os outros 9% se referem a outras causas. ''Geralmente a halitose vem do estômago quando a pessoa tem problema de refluxo. Já aquelas que têm doenças graves no pulmão também podem apresentar mau hálito'', explica. O cirurgião-dentista Rafael Faenza informa que existem cerca de 50 tipos de halitose, entretanto, a maioria está na boca e não está realacionado apenas à má higiene.
Doenças Segundo ele, existem pessoas que têm dentes perfeitos e faz uma boa higiene bucal, mas mesmo assim sofrem de mau hálito. ''Por exemplo, a saburra, camada bacteriana que fica depositada sobre a língua pode ser provocada por doença no fígado, por descama bucal ou por problema salivar. Mesmo que a pessoa escove a língua não vai resolver. É preciso tratar a causa'', explica.
Outra patologia que pode causar halitose é o caseos, que é o acúmulo de bactérias nas amídalas, que fica cheia de bolinhas grudadas. ''O caseos está associado ao sistema imunológico. Mesmo que o paciente retire as amídalas, não vai resolver porque a flora bacteriana está espalhada por todo o organismo'', informa Rafael. Ele acrescenta também que é comum pessoas que usam antidepressivos apresentarem mau hálito. ''Esses medicamentos reduzem o fluxo salivar, deixando a boca seca, o que pode provocar uma halitose temporária''.
Perfume A cirurgiã-dentista Flávia Carneiro ressalta que apesar de o aparelho não mostrar a causa do mau hálito, o fato dele detectar a origem já é um passo importante. ''Através de uma anamnésia e uma sialometria, exame da saliva, podemos descobrir o motivo e, caso não seja bucal, orientar o paciente a procurar um médico especialista''. Ela salienta que durante o tratamento seja ele bucal ou não o paciente pode ir ao consultório para fazer a medição da halitose, monitorando sua melhora. ''Esse é um problema que influencia tanto o lado psicológico que mesmo dizendo ao paciente que o hálito dele está melhorando, ele não acredita'', diz.
Flávia Carneiro explica que, de acordo com o aparelho, até 60 graus de calibragem, o hálito é considerado normal. Ela esclarece que três horas antes de fazer o exame a pessoa não pode escovar os dentes, chupar balas, mascar chicletes e nem beber bebidas alcóolicas. ''O paciente também não deve vir ao consultório usando um perfume muito forte porque o aroma pode mascarar o resultado do exame'', assegura a cirurgiã-dentista.n

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