Nota zero para a escola
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Com certeza muitos pais e professores mais velhos não entendem o porquê de as crianças e adolescentes de hoje não são mais como os de antigamente. Há algumas décadas, as decisões tomadas pelos pais não eram questionadas ou desrespeitadas, os filhos simplesmente obedeciam. Nas salas de aula a coisa funcionava da mesma maneira. Os alunos temiam e respeitavam os professores, que tinham até o direito de punir fisicamente (quem nunca ouviu falar da palmatória) aqueles que não seguissem as regras.
Se olharmos para as relações adultos-jovens atuais, veremos que o método antigo já não funciona mais. Pais muito autoritários e severos só conseguem a rebeldia e o distanciamento dos filhos, nas escolas os alunos aprendem e se interessam cada vez menos pelos conteúdos e a indisciplina é comum.
De acordo com o psiquiatra Augusto Cury, autor do livro ''Pais Brilhantes, Professores Fascinantes'', que esteve em Londrina recentemente para palestras sobre o assunto, o método de educar que aplicamos em casa e nas escolas está errado. ''O sistema de ensino está equivocado há cinco séculos. Antes ele funcionava, mas, hoje, com a quantidade de informação que recebemos, ele não cabe mais'', garante.
Cérebro confuso O excesso de informações é responsável por um problema que, segundo o psiquiatra, atinge mais da metade da população mundial e compromete o aprendizado: a Síndrome do Pensamento Aceleredo (SPA). ''O volume de informações que recebemos hoje é muito grande e nosso cérebro não comporta tudo isso. Como forma de se defender dessa enxurrada de dados, o cérebro acaba travando e bloqueando o aprendizado. Esse é um dos motivos das baixas notas nas escolas. O cérebro existe para pensar e não somente para armazenar'', diz. Os sistomas da SPA são cansaço logo ao acordar, excesso de pensamentos negativos e déficit de memória e concentração. ''Pessoas que trabalham com atividades intelectuais, como jornalistas e professores, são as mais atingidas pela síndrome. E ela aparece em pessoas de todas as classes sociais, em países pobres e ricos'', completa.
Reverter essa situação e fazer com que a educação seja melhor e mais prazerosa depende, segundo Cury, de algumas mudanças radicais, mas fáceis de realizar. A primeira seria colocar música nas salas de aula. ''Ela ajuda os alunos a se concentrar melhor. É claro que não pode ser uma música agitada. As clássicas, sem letras e com ritmos calmos são mais recomendadas. Em alguns minutos, o cérebro começa a trabalhar no ritmo da melodia, e não mais no ritmo alucinado do pensamento acelerado. Escolas que adotaram essa técnica tiveram resultados fantásticos com seus alunos'', diz.
Problemas na fila A maneira como os estudantes são dispostos na sala também é, para ele, um erro grave. O psiquiatra garante que a forma de fila das carteiras escolares gera um sistema de hierarquia que bloqueia a criatividade e ousadia dos alunos. ''O ideal é que tanto na pré-escola quanto nas universidades as pessoas se sentem em círculos. Isso gera um sistema de vínculos que aproxima os estudantes e os professores. Outra vantagem é que, dessa forma, os alunos se sentem mais à vontade para expôr suas idéias e discutir com os colegas e com o professor'', explica.
Incentivar o debate é a outra proposta sugerida pelo especilista. Para ele, as provas, usadas para avaliar o aproveitamento dos alunos, são uma forma de punir algo essencial para o aprendizado. ''Quando os professores olham uma prova, eles deveriam se preocupar com a originalidade e criatividade dos alunos, e não com respostas corretas ou erradas. As pessoas aprendem muito com seus erros. Muitas descobertas importantes para a humanidade, como a penicilina, por exemplo, surgiram por causa de erros. Nas escolas, os alunos recebem respostas prontas que devem ser decoradas e repetidas. Incentivos para pensar e questionar não existem''. comenta. n


