Noites em claro
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Bruna Quintanilha<br>Reportagem Local 
Pode parecer loucura, mas na adolescência o relações públicas Yan Murakami, de 28 anos, passava a noite toda acordado para conseguir ir de manhã para o colégio. "Eu não conseguia acordar cedo, então decidi fazer isso. Também achava que assim minha produtividade era maior do que quando havia acabado de acordar", explica ele. Assim como Murakami, muitas pessoas têm dificuldade para acordar cedo e se sentem mais produtivas para realizar atividades à tarde e à noite.
Desde 2006, um movimento chamado B-Society, ou Sociedade B, em português, defende que cada pessoa tem um ritmo biológico diferente. Segundo o grupo, estudos cronobiológicos mostram que alguns rendem mais no trabalho e nos estudos de manhã, enquanto outros têm um desempenho melhor nos períodos seguintes. Tudo isso graças a ritmos cardíacos distintos.
Trabalhando como freelancer atualmente, Murakami mantém uma rotina nada tradicional. "Minha rotina é a seguinte: começo a trabalhar às oito da noite e vou até 7h, 8h da manhã. Até hoje muita gente pensa que sou maluco, mas sinto que estou mais disposto à noite", revela. Assim como o relações públicas, o programador Matheus Prado, de 20 anos, também atua como freelancer e mantém uma rotina noturna de trabalho. "Costumo acordar às 10h, 11h e começo a trabalhar meio-dia. Mas mesmo nesse horário é um pouco complicado, não é uma produtividade muito boa. Não sei porque isso acontece, mas só consigo embalar por volta das seis da tarde. Aí vou até tarde e durmo umas 2h, 3h da manhã", comenta.
Para Prado, ter a possibilidade de fazer suas atividades à tarde e à noite significa ter mais qualidade de vida. Porém, ele se prepara para voltar a uma rotina matutina. "Eu tranquei a faculdade, que é de manhã, por um semestre e vou voltar no ano que vem. No colégio, acordar cedo era bem sofrido, até hoje é. Lembro que da 5ª até a 7ª série estudei à tarde e foi o período em que tive as melhores notas", relembra. "Às vezes tenho a impressão de que se eu pudesse dormir uma hora a mais já faria diferença. Acho que tudo deveria funcionar das 9h às 19h e não das 8 às 18h."
A flexibilidade de horários nas empresas e escolas é uma das reivindicações do movimento B-Society, que já conseguiu implantar testes em alguns países da Europa como a Dinamarca, Noruega e Finlândia. "Vejo isso como uma tendência, principalmente nas áreas de criação e comunicação. Acho que é preciso focar mais na produtividade do colaborador e não só no fato de 'bater cartão' em determinados horários", defende Murakami. Enquanto isso não ocorre por aqui, o programador Matheus Prado tenta se adaptar às normas. "Quando estou trabalhando em uma empresa me esforço muito para que a minha produtividade seja a melhor possível no horário em que estou trabalhando, pois sei que a empresa está contando com isso e também porque quero dar o meu melhor", diz.



