No ritmo da noite
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sexta-feira, 15 de janeiro de 1999
Vivian de Albuquerque 
Final de semana, sexta-feira. Mal começa a escurecer e o movimento nos bares do Largo da Ordem já é grande. É apenas o início de uma noite que muitas vezes pode parecer interminável. É que em Curitiba as opções noturnas são tantas que é possível se fazer um verdadeiro rodízio. Há casas noturnas para todos os gostos. Só não se diverte quem não quer.
Ainda são onze horas da noite e a fila já assusta. Entrar na Rave é sempre assim: quem perde a hora não gasta menos de meia hora na fila. O movimento de carros também impressiona. E não é para menos. Lá dentro, o que há de melhor em som rave e tecno, com um detalhezinho a mais: a percussão ao vivo de Rodrigo Paciornik.
Sensualidade na dança do ventre, atração do Bagdad CaféAtabaques, tambores e pratos dão o tom, e o público, numa faixa etária entre 18 e 25 anos, não pára um segundo. A receita para o sucesso, Paciornik aprendeu numa temporada em Israel, quando viveu durante um ano num kibutz. Era lá que ele passava boa parte do tempo, acompanhando o som das músicas com seu atabaque. Só que, é claro, com um toquezinho a mais. Foi o meu jeitinho brasileiro que me diferenciou do pessoal de Israel, explica Rodrigo.
E que jeitinho! O percurssionista fez tanto sucesso na última festa de aniversário da boate, que foi convidado por dois DJs do ranking internacional, para que em sua próxima viagem à Europa apresente seu trabalho ao público fanashion - mistura européia de fashion com fanático.
Jatos de ar Um pouco mais comportada, a Konys, outra das boates mais procuradas de Curitiba, tem como diferencial, além de música dance da melhor qualidade, o famoso Turbo Air. Para esfriar a moçada que dança, jatos de ar refrescante e gelo seco são ligados. E a casa ainda oferece diferentes tipos de drinques elaborados e até um espaço para jantar. Agora, se você pensa em entrar vestindo tênis, nem pensar. A dica é ir sempre superproduzido porque lá só entra o público vip de Curitiba.
Pista cheia no Konys Night Club, onde um Turbo Air refrescante faz a diferençaMas se a intenção é ir um pouco mais do que produzido, a melhor opção é, sem dúvida, o Legends. Chamada de boate underground, reúne os mais diferentes tipos. Desde as tradicionais patricinhas até clubbers produzidérrimos, que não dispensam os óculos escuros e os piercings.
A música, para quem gosta de tecno, é contagiante e não pára nunca. A pista fica lotada. Mas quem quiser ainda pode se aventurar, dançando dentro de uma das jaulas colocadas estrategicamente no local. A segurança é mantida por uma revista completa na porta de entrada. Ninguém passa sem abrir bolsas e bolsos
E em se tratando de bolsos e bolsas, é bom cuidar deles em alguns lugares. Não exatamente por causa de furtos, mas por causa do aperto. É o caso, por exemplo, do Zimbabwe. O bar fica tão cheio, mas tão cheio, que é possível que sua bolsa seja arrastada junto com a multidão, principalmente na hora do axé.
Fila na Rave para curtir a percussão de Rodrigo PaciornikO ritmo é quase sempre este, trazido com sucesso da Bahia. Mas a casa também abre espaço para bandas de rock, pagode e samba, numa verdadeira miscelânea. Uma coisa é certa, ninguém fica parado. Primeiro porque o bar fica cheio demais, depois porque as bandas estão entre as melhores da Cidade. A dica é chegar bem cedo para conseguir um bom lugar junto ao palco. Para os atrasadinhos o que sobra é a paquera que rola solta na fila de entrada e na parte de fora do bar.
Dança do ventre Agora, se a opção é mudar radicalmente de ritmo, as dicas ficam por conta do Bagdad Café e do Dixies Country Club. O primeiro, além de uma gostosa MPB, oferece ao público algumas surpresinhas. Uma delas é a chance de ver e até de dançar a sensual dança do ventre. O espaço não é dos maiores, mas o bar é extremamente acolhedor e alegre. Por entre as mesas, três dançarinas comandam o show. E é realmente difícil ficar parado. A música árabe faz com que até os mais inibidos se arrisquem a acompanhar as moças.
No Dixies, a pedida é a música country americana e a sertaneja brasileira. O modelito mais apropriado é mesmo aquele de calças jeans apertadas e chapéu. Quem resolve ir um pouquinho diferente pode se sentir meio deslocado, porque a sensação é mesmo a de um baile no velho oeste. Quem não sabe dançar acaba aprendendo na marra. E se o novato no bar for mulher, melhor ainda. Nunca faltam professores dispostos a ensinar os truques da dança country.


