A pimenta não tem meio termo, você ama ou odeia. Mas mesmo quem não gosta de seu sabor picante consegue ficar indiferente ao livro que acaba de ser lançado pela Bocato Editores. Basta gostar de cozinha para babar com as receitas que acompanham a história da pimenta contada por Nelusko (Nelo) Linguanoto Neto. A trajetória da ardida passa pelas grandes navegações e vai até à ciência agronômica, exemplo perfeito de adaptabilidade de uma cultura estranha num novo ambiente. Isso tudo sem contar os seus variados usos, da culinária à saúde, além do poder que seus infinitos sabores dão aos mais diversos pratos.
  O livro ‘‘Dicionário Gastronômico de Pimentas e suas Receitas’’ é realmente um prato cheio de informações e comida boa. São com 160 páginas, 140 fotos belíssimas fotos de pratos e pimentas, em edição de luxo que chega às livrarias pelo preço de R$ 116,00. A obra é o segundo da série de dicionários gastronômicos da Boccato, iniciada com o livro ‘‘Ervas e Especiarias e suas Receitas’’ do mesmo autor, lançado no ano passado e em sua segunda edição.
  A exemplo do anterior, este não é apenas um simples livro de receitas, mas sim num verdadeiro guia sobre o universo da pimenta, que nasceu na bacia amazônica. Ao sabor das viagens dos navegantes portugueses se espalhou pelo mundo e foi tomando novas formas e sabores. Nelusko pesquisou 51 tipos de pimentas que aparecem no livro com dados de sua história, origem, grau de picância e utilização – uma receita para cada tipo de pimenta. ‘‘São todas receitas simples de fazer, embora em alguns casos haja dificuldade no tipo de pimenta utilizado, que pode não ser encontrado no Brasil, mas todas elas podem ser substituídas pelas pimentas encontradas por aqui’’, diz Nelo.
  O autor traz explicações sobre o que é mesmo a pimenta, classificada botanicamente no gênero capsicum e que inclui tipos como tabasco, malagueta e dedo-de-moça e até o pimentão, que pertence a um grupo diferente, como a pimenta-do-reino, de origem asiática, da família das piperáceas.
  Em três capítulos do livro, Nelusko descreve primeiro as capsicum, depois as piperáceas e, no final, as ‘‘falsas’’ pimentas, aqueles condimentos que recebem o nome de pimenta mas têm origens diversas como a pimenta rosa que, na verdade, é semente de aroeira.
  Ele explica que, ao se espalhar pelo mundo, a pimenta foi tomando formas e sabores diversos, que hoje somam milhares. ‘‘Se forem plantados dois tipos de pimentas próximos, haverá logo uma sinergia e surgirá um terceiro tipo, devido à sua grande facilidade de se intercruzarem ’’, diz.
  O autor ensina também como tirar a picância da pimenta para quem prefere mais o seu aroma, como secar pimentas, fazer geléias e picles e fala ainda de seus muitos outros usos como o spray de pimenta usado em defesa pessoal e seu uso medicinal: o conhecido emplasto Sabiá, por exemplo, tem em sua composição a capsaina, que vem da pimenta. E dá um alerta: se a pimenta arder demais, não tome água, que espalha o ardor. O certo é levar um grande gole de creme de leite ou sorvete à boca, bochechar por um minuto e cuspi-lo.
  Confira nas páginas 14 e 15 algumas receitas do livro.

mockup