No reino das letrinhas
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Era uma vez uma garotinha que gostava muito de ler. Até os quatro anos conseguia ler apenas os desenhos dos livrinhos infantis, criando suas próprias histórias, estimulada pelos pais. Aos quatro anos, já estava lendo de verdade. A paixão pela leitura era e é tão grande que hoje, aos 7 anos, Alana Gentil Carani pode ser considerada uma devoradora de livros, apesar da pouca idade.
Além dos livros infantis, o quartinho colorido, recheado de brinquedos, bonecos e fantoches, tem também muitos gibis, leitura preferida de Alana. Tudo é acomodado em estantes e caixotes, que ficam no chão e nas paredes, sempre ao alcance da menina. Ao lado, bem à mão, a tomada de luz que Alana aperta com facilidade para clarear o quarto e ler, acreditem, enquanto a família dorme. Muitas vezes a mãe viu a fresta de luz na madrugada e flagrou a pequena com os livros na mão.
A mãe conta que a leitura surgiu na vida de Alana de forma simples e natural. Com pouco acesso à tevê (a família controla rigorosamente a programação), sobrou tempo para o hábito da leitura. Quando não está brincando no quintal da chácara, onde vive com os pais e o irmão mais velho, Alana se agarra aos livros. Hoje, ela lê com uma fluência de dar gosto de ouvir.
O prazer pela leitura, Alana passa para as amiguinhas que também estão descobrindo a magia das letras. Beatriz, 6 anos, tem o mesmo gosto pelos livros e enquanto não domina a leitura, ouve atenta as histórias lidas por Alana.
Aos poucos, fomos mostrando livrinhos com desenhos e fazendo com que ela interpretasse a história do seu jeito, conta a mãe de Alana, a jornalista Denise Gentil, também devoradora de livros (ela lê vários ao mesmo tempo), proprietária de uma loja especializada em literatura infantil. Alana, inclusive, ajuda a mãe a selecionar os livros que serão vendidos na loja. Ela gosta mesmo de leitura. E lê todo tipo de livro, além de muitos gibis. Os preferidos são os da Turma da Mônica, de Maurício de Souza.
Habituada aos livros infantis e a lidar com as crianças que freqüentam sua loja, Denise Gentil discorda da frase sempre repetida criança não gosta de ler. Para ela, o que falta é incentivar a leitura, de acordo com o interesse de cada uma criança. O que se vê é um discurso de que a criança não quer ou não gosta ler, mas o que é ofertado para ela? Será que é o que ela quer? Acho que a oferta está sendo pressuposta, não se vê a criança individualizada. Não adianta levar um livro que ela não quer ler, orienta.
Para atrair a atenção das crianças, as editoras investem muito na criatividade. Livros em formato de brinquedos, principalmente para aquelas que ainda não sabem ler, são o grande filão para estimular o gosto pelos livros.
Denise reconhece que muitos exemplares oferecidos pelas editoras custam caro, mas acredita que as crianças têm acesso fácil à leitura, através de programas de leitura nas escolas, bibliotecas e o próprio mercado editorial, que também publica exemplares mais baratos. São muitas opções, com preços variados e acessíveis, argumenta.
Dicas de boa leitura
- Aviãozinho de Papel Ricardo Azevedo
- Lua no Brejo Elias José
- Planeta Caiqueria Hermes Bernandi Jr
- Beijos Mágicos Ana Maria Machado
- João e Maria recontado por Ruth Rocha
- O carteiro chegou Companhia das Letrinhas
Para os pequenos que ainda não sabem ler, os importados, principalmente da China, que trazem fadas e princesas são bons atrativos. As histórias podem ser criadas de acordo com a criatividade das crianças


