Várias vezes ao dia somos estimulados por sensações olfativas, transmitidas pelos aromas que captamos ao nosso redor. Quem nunca se sentiu sensibilizado por uma fragrância que trouxe à tona recordações de um momento especial ou até mesmo de uma pessoa querida? Afinal, o que está por trás dessa alquimia, que tanto fascina e movimenta um mercado mundial de bilhões? Em uma palestra sobre o assunto, promovida pela Natura, a Folha da Sexta foi conhecer como nasce um perfume.
Inspiração, arte, sensibilidade ou marketing? Na verdade, o nascimento de uma nova fragrância, segundo especialistas, envolve tudo isso e mais um pouco. "É um trabalho conjunto, que inspira a equipe de marketing, a avaliadora olfativa e o perfumista", explica a gerente de produto na área de perfumaria da Natura, Francini Apendino.
O primeiro passo é o briefing do produto: público-alvo, caminhos olfativos, embalagem e cores. A partir desse material, a avaliadora olfativa traduz essas informações em cheiros, que são encaminhadas à Casa de Fragrâncias e para perfumista, no caso Verônica Kato - a única perfumista in house da América Latina - profissional exclusiva da marca.
O perfumista é quem cria as fórmulas do perfume sozinho ou em parceria com profissionais de outras casas. "É uma profissão que exige anos de estudo e um conhecimento profundo de caminhos olfativos das mais diversas matérias-primas, que chegam a 2.500", diz Francini.
Diferentemente de outras empresas que trabalham apenas com matérias- primas criadas por casas de fragrâncias, a Natura - em parceria com comunidades espalhadas por todo o Brasil e América Latina - investe na extração de óleos essenciais de plantas como priprioca, breu branco, aramela, açaí, pitanga, cupuaçu, estoraque brasileiro, castanha, cacau, cumaru, palo santo, capim limão e mate verde – sendo os dois últimos extraídos da Região do Turvo, no Paraná.
Um perfume pode conter até 300 ingredientes em sua fórmula que, dependendo do aroma predominante, são classificados em grupos, os chamados caminhos olfativos: cítricos, ervas, frutas, florais, adocicados e amadeirados. "São esses cheiros que vão traduzir a nova fragrância", conta ela, acrescentado que nos últimos anos as consumidoras brasileiras trocaram os aromas florais pelos frutados e adocicados, mais descontraídos e joviais.
Depois de combinar os ingredientes e encontrar as características olfativas do produto, o avaliador é novamente recrutado. Entre 100 submissões - amostras feitas pelo assistente da perfumista – ele escolhe apenas um, o mais adequado ao briefing proposto. Da concepção às prateleiras, o cheirinho leva aproximadamente dois anos e meio para ficar pronto.

Mercado em ascensão
Segundo o levantamento da Euromonitor, em 2010, o Brasil foi considerado o maior mercado para perfumes no mundo, superando os Estados Unidos. Enquanto o faturamento com a venda de fragrâncias em território norte-americano permaneceu na casa de US$ 5,3 bilhões em 2010, as receitas no Brasil subiram de US$ 4,5 bilhões em 2009, para US$ 6 bilhões, no mesmo ano.

Consumo nacional
Por ser um mercado tão rentável, as pesquisas em torno do consumidor são essenciais. Segundo estudos realizados pela Kantar Worldpanel, em 2010, curiosamente, no Brasil, quem mais se perfumou foram os nordestinos (88%). Enquanto no Sul essa média ficou pela metade, em torno dos 42%. A explicação para isso, segundo Francini, é que para o sulista o ato de se perfumar está associado à elegância e à sofisticação. "As pessoas também não querem invadir o espaço do outro com fragrâncias. Outra questão é que não existe o hábito de reaplicação durante o dia. Principalmente entre as mulheres, o uso está ligado a ocasiões especiais", observa Francini. Já no Nordeste, estar limpo é ter um cheiro bom. E os perfumes são usados ao longo do dia para proporcionar a sensação de frescor, uma característica que reflete o clima quente da região.

Imagem ilustrativa da imagem No rastro dos aromas
Linha águas Natura
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Um perfume pode conter até 300 ingredientes em sua fórmula e, dependendo do aroma predominante, pode ser classificado nos chamados caminhos olfativos
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Inspiração e marketing fazem parte do caminho para se chegar a uma boa fragrância, diz Francini Apendino