'No futuro isso fará diferença'
Na casa da jornalista Juliana Oliveira Leite, os filhos Otto, de 3 anos, e Yuri, de 8 meses, são incentivados desde cedo a ter autonomia. Ela conta que a atitude foi surgindo aos poucos, com o crescimento do primogênito. "O Otto é uma criança bem participativa. Tem opinião forte e sempre é um dos primeiros a fazer as suas escolhas. Acho que esse processo parte muito do nosso entendimento sobre a curiosidade do bebê ou criança e, permitir, é claro, desde que supervisionado, que passe a explorar suas atividades", explica.
Livros e brinquedos sempre ficaram em locais de fácil acesso e o menino também foi incentivado a aprender a comer sozinho. A mãe conta que procura não dizer que o filho não conseguirá fazer algo e sempre o incentiva a tentar, cuidando para não gerar frustrações.
Ela diz também que procura intervir somente quando necessário. "O Otto sempre gostou de escolher a roupa. Já tivemos situações que ele saiu de casa com peças que não combinavam. Com o tempo fui percebendo a necessidade de fazer uma seleção e depois ele definir o que quer usar. Mas tem dia que não adianta e não funciona! Dar autonomia é também entender que aquela pessoinha tem vontades e desejos. Por exemplo, quando demos uma galocha do Homem Aranha era pura emoção. Ele dormiu com a bota nova e quis ir para a escola todos os dias com ela, mesmo em dias quentes. Claro que não foi assim sempre, era uma novidade. Teve dia de negociação, teve dia que não", conta.
Para ajudar em algumas atividades os pais deixaram à disposição do menino um banquinho multiuso. Com ele Otto consegue alcançar a pia para escovar os dentes ou lavar as mãos, pegar um brinquedo da estante ou ajudar em outras tarefas.
Com o caçula, Juliana conta que tem procurado repetir um pouco daquilo que foi feito com o mais velho, "sempre dando muito carinho e estando presente". Por ser um bebê, Yuri ainda demanda bastante a atenção dos pais, mas já faz pequenas e importantes escolhas. Ele se alimenta pelo método BLW, em que o bebê escolhe o que quer e o quanto vai comer, sob supervisão dos pais.
"Sinto o Otto, que já é maiorzinho, uma criança bem confiante. Percebemos certa liderança no comportamento dele e até mesmo um prazer maior em fazer as coisas. Acho que muita gente ainda confunde isso com desleixo ou até mesmo com a história que o filho vai virar um tirano dentro de casa. Muito pelo contrário, o que se busca é um crescimento na perspectiva da própria vivência da criança. Não é fácil e com certeza bastante desafiador, mas tenho convicção que no futuro isso fará diferença, principalmente quando falamos em adultos que sabem o que querem", diz ela.(E.G)






