No fundo dos olhos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de julho de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Hoje em dia é difícil encontrar uma pessoa que não tenha algum problema nos olhos. Sejam disfunções que comprometem levemente a visão ou complicações mais sérias que causam a perda total da capacidade de enxergar. Bom é que a ciência médica tem se aperfeiçoado e desenvolvido técnicas e equipamentos que solucionam os mais complexos problemas oculares, substituindo óculos e lentes de contato, na maioria das vezes com melhores resultados.
Uma das mais novas tecnologias está relacionada ao tratamento cirúrgico da catarata, problema que compromete a capacidade do cristalino de focalizar as imagens na retina, tornando a visão embaçada, amarelada e distorcida. A única opção de tratamento para esses casos, que ocorrem geralmente em pessoas com mais de 40 anos, é a cirurgia. Na técnica mais antiga, o médico utilizava um aparelho que retirava o cristalino, colocando em seu lugar uma lente intraocular fixa que corrigia a visão para perto ou para longe. Dessa forma, o paciente era obrigado a usar óculos de lentes grossas (para perto ou para longe) mesmo depois da cirurgia.
A novidade é que hoje, com utilização de um aparelho e de lentes de última geração, houve uma mudança, simples até, mas muito significativa para quem sofre de catarata, conforme explica o oftalmologista Nobuaqui Hasegawa, do Hospital de Olhos de Londrina. ''As lentes usadas agora são bifocais. Elas servem para melhorar a visão para perto e para longe, o que acaba com a necessidade de usar óculos. Outra coisa boa é que elas também podem ser usadas para tratamento de esclerose nos olhos'', diz.
Ele explica que a cirurgia com essas lentes, chamadas Restor, é semelhante à realizada para a colocação das antigas, só que é realizada com um aparelho supermoderno. ''A lente fica atrás da íris e para colocá-la é preciso primeiro retirar o cristalino. Todo o procedimento é feito com colírio anestésico e com um corte de 2,75 mm na córnea, por onde a lente será introduzida no olho. A cirurgia é feita rapidamente e o paciente pode ir para casa logo depois'', garante.
Mapeamento computadorizado Mas se o problema não é catarata ou esclerose e, sim, miopia, hipermetropia ou astigmatismo, as opções de tratamento também estão muito mais modernas. As novidades, introduzidas no final de 2004, estão nas cirurgias a laser para corrigir imperfeições na córnea, causadoras de problemas de visão.
O laser já era utilizado para resolver falhas na curvatura da córnea e corrigir os graus de miopia, hipermetropia e astigmatismo, mas os pequenos detalhes passavam desapercebidos pela cirurgia convencional e, com isso, o resultado nem sempre era perfeito. Com a cirurgia refrativa a laser de terceira geração, ou Ladarvision, o feixe de luz é capaz de corrigir as distorções mínimas, aprimorando a qualidade do procedimento e, consequentemente, da visão.
''Primeiro o paciente é submetido a um exame onde desenhamos um mapa tridimensional da córnea, detectando todas as aberrações da visão. Depois usamos os dados do exame como um guia para o laser corrigir cada ponto da córnea. Outro avanço do laser é que ele consegue acompanhar cada movimento do olho, num total de quatro mil movimentos por segundo, e agir exatamente sobre o local desejado'', explica o especialista.
Com tanta tecnologia, a cirurgia permite uma correção que chega à perfeição, além da possibilidade zero de erro, melhorando e muito a qualidade da visão. ''Antes, se você tivesse três graus de miopia, por exemplo, e seu vizinho tivesse os mesmos três graus de miopia, o procedimento era igual para vocês dois. Agora, a cirurgia é personalizada para cada grau e cada irregularidade'', explica Nobuaqui.
Para se submeter à cirurgia refrativa é necessário ter mais de 21 anos de idade e um grau estável de comprometimento. Para casos onde o grau de miopia é muito elevado, a técnica não é recomendada. O procedimento também é feito com colírio anestésico e o paciente é liberado em seguida.


