É uma avalanche de cantinhos da disciplina. Desde a sua estréia, no dia 1º de abril, o reality show SuperNanny, do SBT, já fez muitos pais colocarem os filhos mais ‘‘enérgicos’’ para pensar por cinco minutos sobre um tapete deixado num canto da sala. ‘‘Apliquei o método outro dia com meu filho mais novo, de 3 anos. Funcionou. Ele disse que entendeu por que estava ali’’, conta a comerciante Cláudia Omura, de 33 anos. ‘‘Agora, o menino dá um tempo na bagunça quando ameaçamos colocá-lo lá de novo.’’
  O tal tapetinho é apenas um dos muitos recursos apresentados pela superbabá Cris Poli para conter a rebeldia dos pequenos no reality show. E, como os outros, vem influenciando o modo como os brasileiros educam seus pimpolhos. A principal lição – dada aos pais – também tem sido bem absorvida. ‘‘Às vezes, vejo que cometo os mesmos erros dos adultos mostrados no programa. Um deles é colocar muita responsabilidade sobre o filho mais velho. Percebi que faço isso com a minha filha, de 5 anos’’, admite Cláudia.
  Outro erro ocorre no supermercado. ‘‘Vivo a mesma situação daquelas mães que sofrem quando fazem compra, por causa dos pedidos das crianças. Eu acabo comprando alguma coisa, só para que elas fiquem quietas.’’ Hoje, Cláudia tenta agir preventivamente: ‘‘Digo, já no carro, que não tem choro’’.
  Miti Terada, de 33 anos, também percebeu por meio do SuperNanny que precisa fazer alguns ajustes na educação da filha, Laís, de 5 anos. ‘‘Ela não dá trabalho, é muito tranqüila. Mas, com o programa, eu e meu marido, Mateus, acabamos comparando a forma como a educamos e a maneira mostrada pela babá. Vimos que a família precisa ter mais disciplina.’’
Refeições Assim como Cris Poli faz com os pimpolhos que atende, Miti disse que não permitirá mais que a filha coma ‘‘bobagens’’ durante as refeições. ‘‘Ela já está em uma idade em que vai até o armário sozinha e come o que quiser. Vou dar uma brecada. No almoço e no jantar, ela acaba não comendo direito.’’
  Trabalhando como empregada em casa de família há vários anos, Jacilene Pereira, de 30 anos, acaba sendo um pouco babá dos filhos pequenos dos patrões. Mas, em seu lar, também tem trabalho: Gabriel, de 4 anos. ‘‘Tento adaptar o que aprendo com a SuperNanny com meu filho e também com os dos meus patrões’’, conta.
  Para Jacilene, o reality show é importante para que os pais aprendam a impor limites às crianças. ‘‘A gente vê que dá para conversar com os filhos e mostrar o motivo dos castigos. Se não tratarmos deles agora, como serão quando crescerem?’’

mockup