No comando do fogão e da casa
Em apenas dois anos de casamento, Renata Chineze viu sua vida mudar completamente. Aos 22 anos, estava cercada de responsabilidades, tendo de assumir os cuidados com os três filhos - a primogênita Giovanna, 13 anos, e os gêmeos Lucca e Victoria, 12.
Se grande parte das mulheres nessas condições optaria por ficar em casa e cuidar dos pimpolhos, com ela aconteceu o contrário. ''Comecei a trabalhar quando engravidei, e a partir daí não parei mais'', conta. Ao lado do marido, ela assumiu o Buffet Planalto, em Londrina, encontrando por acaso sua paixão pela gastronomia.
Conciliar profissão e cuidados com a família no início do casamento não foi nada fácil. ''Passava as tardes e noites no bufê. Além de cozinhar, atendia clientes e organizava os eventos. De manhã ficava com as crianças em casa'', relembra. ''A ajuda dos avós e de uma babá tornou possível administrar casa e família, apesar do estresse'', revela.
Hoje, com os filhos na adolescência, Renata reorganizou sua agenda para passar mais tempo com eles. ''Até as crianças completarem sete anos, eu nunca havia cozinhado em casa. Minha filha mais velha me cobrou por isso. A mudança veio aos poucos'', relembra.
Agora, a família de Renata tem o privilégio de saborear um jantar de chef todas as noites. E os filhos aproveitam para aprender os segredinhos maternos na cozinha. No dia da pizza, mãe e filhos põem as mãos na massa.
Segundo a chef, sua rotina está melhor distribuída, mas continua a mil. Ela coordena um grupo de evangelização de adolescentes na Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, pratica corrida nas horas vagas e continua o trabalho no bufê. No próximo dia 24, ela embarca para Paris. Vai passar 15 dias aprendendo maravilhas no mundo da gastronomia.
Autonomia precoce
Com a professora do curso de Psicologia da UEL, Márcia Gon, a vida atribulada também começou cedo. ''Primeiro fiz pós-graduação e mestrado. Minha filha mais velha nasceu enquanto eu fazia doutorado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Tinha de viajar muito'', conta.
A correria de conciliar casa, marido, filhas e agenda profissional, sem ter parentes por perto, fez com que o casal decidisse por matricular as filhas, Talira e Trícia, numa escola em período integral aos quatro meses de idade''. conta Márcia.
A ajuda de uma empregada e o apoio do marido foram determinantes para que Márcia seguisse em frente. ''Às vezes, pensava em parar de trabalhar, mas recebi muito apoio do meu marido e das crianças. Elas dizem que sentem orgulho de ter uma mãe que trabalha como professora universitária'', revela.
Para Márcia Gon, a rotina atribulada tem influência positiva na formação de suas filhas. ''Sinto que elas ganham autonomia; aprenderam cedo a pensar: 'tenho de fazer por mim', ressalta.





