Há muito tempo, os videogames têm sido motivo de controvérsias entre pais, professores, psicólogos e autoridades. Em 1994, uma lei proibiu que menores de 16 anos jogassem em fliperamas e locadoras. Recentemente, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), determinou a retirada do jogo eletrônico Carmageddon 2 de circulação em todo o território nacional. A justificativa foi que o jogo podia induzir a um comportamento prejudicial ou perigoso à saúde.
Ao contrário de outros games, em que o jogador atira, degola ou coloca fogo no inimigo, no Carmageddon 2 o jogador atropela zumbis. A proibição gerou polêmica e colocou o videogame novamente no banco dos réus. Até que ponto um simples jogo pode influenciar no comportamento de uma criança? Para a psicóloga clínica Maria Rita Soares Azevedo, professora do Departamento de Psicologia Social e Comportamental, da Universidade Estadual de Londrina, o que leva uma criança a ser violenta é uma somatória de valores. ‘‘Apenas o videogame não leva a criança a ser violenta. Ele pode contribuir para isso, quando existe dentro de casa um incentivo à agressividade’’, afirma.
Segundo a psicóloga, numa família em que o pai bate na mãe, incentiva o filho a brigar nas ruas e a não levar desaforo para casa, um jogo violento pode ser mais um fator desencadeador para um comportamento agressivo. ‘‘Mas num lar onde os pais conversam com os filhos, repassando a eles uma educação baseada em amor, ética, cidadania e disciplina, a violência dos jogos de videogame não vai fazer com que a criança se torne um adulto violento’’, diz Maria Rita Soares.
No entanto, ela ressalta que nem por isso os pais devem se omitir, deixando a criança jogar o dia inteiro. ‘‘É preciso impor limites, estabelecer horários e incentivar outros tipos de divertimento que possibilitem o relacionamento com outras crianças. Além disso, deve-se negociar com o filho na hora de comprar ou alugar um jogo para que ele não escolha apenas games violentos’’, orienta. A psicóloga salienta ainda que os pais devem ver o tipo de jogo que a criança está jogando e conversar com ela sobre a violência do videogame, explicando o que é real e o que é ficção. ‘‘Os pais não devem ser radicais a ponto de proibir, mas precisam ficar atentos ao que a criança está vendo e fazendo’’, acrescenta.
Maria Rita Soares observa que se os pais começam a perceber que o filho está apresentando um comportamento agressivo, eles devem procurar descobrir os motivos e conversar com a criança sobre o assunto. ‘‘Por uma questão cultural, o menino, geralmente, gosta mais de brincadeiras de luta. Se for o caso, uma forma de fazê-lo extravasar sua energia, é colocá-lo em aulas de judô ou karatê, escolhendo uma academia que repasse o real conceito dessas lutas que é, justamente, o da não violência’’, aconselha a psicóloga.•Arquivo/FL‘‘Os pais não devem ser radicais, mas também não podem se omitir’’, diz a psicóloga Maria Rita Soares de AzevedoCelso Mattos

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