Você acaba de assistir ‘‘Procurando Nemo’’ (desenho animado da Disney recém-chegado às locadoras) e fica morrendo de pena dos peixinhos de aquário por causa da história do pai-peixe-palhaço que procura o filho capturado para viver num aquário.
  Mas como lá no desenho o final é feliz (e não seria diferente num desenho da Disney), logo, logo o drama passa e aí você vai começar a pensar de uma outra forma. Pensar que, talvez, ter um aquário em casa seja uma boa pedida. Um hobby novo? Diversão para as crianças? Decoração inusitada? Todas as opções são válidas quando o assunto é um quadrado de vidro, alguns litros d’água, pedrinhas, plantas e, é claro, peixes, vários peixes.
  De acordo com Edson Tomoyuki Shimizu, de uma família pioneira no comércio de aquários e afins, ‘‘peixe é um animal substituto para quem não pode ter um cachorro ou um gato num espaço pequeno, além do aquário funcionar como terapia para quem fica olhando o movimento da água, dos peixes’’, diz.
  Na loja, Shimizu comercializa cerca de 350 espécies diferentes entre variedades de água doce e marinhas. São peixes que custam desde 45 centavos a R$ 450. Ou seja, um único peixe pode custar mais que um aquário inteirinho montado, que sai em média por R$ 400, se for de água doce. O mesmo tamanho de aquário passa para R$ 2 mil se for de água do mar.
  ‘‘Muitas pessoas começam com um beta (aquele peixe que precisa ficar sozinho) e depois passam para um aquário maior’’, conta Shimizu. Aqueles que se empolgam ainda mais, pedem logo por um aquário marinho. ‘‘Não é que dá mais trabalho, mas é preciso mais conhecimento’’, avisa o aquarista, que também presta serviços personalizados em domicílio para quem quer ter aquário em casa ou no trabalho, mas não dispõe de tempo ou mesmo técnicas.
  ‘‘Uma troca parcial de água por mês é o ideal’’, ensina. De acordo com Shimizu, é errado querer trocar toda a água do aquário. Com os filtros cada vez mais tecnológicos, a vida dos aquaristas tem ficado mais fácil. Só é preciso ficar atento a regras básicas de filtragem, aquecimento e iluminação, três itens principais para um aquário ser bem-sucedido.
  A combinação de peixes também é importante e não é possível ir colocando qualquer um no aquário só por estética. Os peixes tropicais precisam de água mais quente que os asiáticos como o kinguyo e a carpa. Outra dica importante a ser seguida: para cada litro de água, um centímetro de peixe.
  Só que a matemática muda quando o assunto é uma nova onda que desembarcou no Brasil há cerca de um ano, os aquários de plantas. Os peixes, nesse caso, são meros coadjuvantes. Mas a novidade que veio do Japão não parece abalar o comércio de peixes ornamentais. Segundo Shimizu, nos 21 anos da loja da família, as vendas sempre cresceram, nunca diminuíram. Ou seja, ter um aquário não é um hobby daqueles que seguem as tendências da moda.
  O alerta, lembra Shimizu, vai para aqueles que resolvem ‘‘devolver’’ os peixes para um rio, ou porque se cansaram ou porque um espécime não se dá bem com os ‘‘vizinhos’’. ‘‘A maioria dos peixes de água doce comercializados é criada em cativeiro, por isso é um perigo soltá-los em um rio’’, completa.
  Se bem que depois de alguns minutos tranqüilizadores olhando para o balé aquático dos peixes, quem é que vai pensar em se desfazer de tal beleza?

mockup