Nem tudo é descartável
Patrícia Lopes acha que não existe coisa supérflua: Tudo pode se transformar em algo útil
A dona-de-casa Elza Perez da Silva diz que fica arrepiada só de pensar em guardar coisas supérfluas em casa ou em gastar dinheiro com o que não terá serventia. Jogo tudo fora. Tenho horror de coisas sem utilidade imediata. Ela só guarda o que é de uso frequente da família e só compra o que é realmente essencial para todos. Já jogou no lixo réguas e compassos das crianças, uma cadeirinha da neta, e até a bicicleta meio enferrujada que o filho não usava há dois anos. Minha mãe é um perigo, diz Cecília Perez da Silva. Ela vive procurando coisas para jogar no lixo. Eu tenho mania de guardar sacolas de loja no guarda-roupa. Se bobeio, ela joga todas no lixo. Tudo o que guardamos em casa tem que ser estritamente essencial. E se não a avisamos, ela acaba vendendo ou jogando fora.
Para a professora Patrícia Lopes não existe coisa supérflua. O que é descartável para alguns pode ser útil para outros. Ela junta rótulos plásticos de refrigerantes para fazer bolsas, latas de achocolatado para fazer porta-trecos para os filhos, enfim, um monte de objetos considerados inúteis para transformá-los em bens de consumo. Nunca deixo minha família se desfazer de móveis e objetos que não usa mais. Sempre dou um jeito de reaproveitá-los. Achei um certificado de garantia de uma máquina de costura antiga. Descobri onde foi parar a máquina e agora vou comprá-la e colocar o certificado na parede numa linda moldura de bronze. Minha mãe ia jogar fora uns móveis velhos; reformei e restaurei todos e hoje eles estão na minha sala de estar. Encontrei um banquinho jogado num lixo e hoje ele está lindo. Acho que a gente deve valorizar mais os objetos. Às vezes pode-se transformar uma bobagem numa peça indispensável, assegura a professora.





