Nem tudo o que a moda elege como a ‘‘coqueluche’’ da temporada é aposta certeira em todos os cantos do mundo. Algumas ‘‘novas’’ idéias podem causar um belo estrago no look das brasileiras. Um exemplo é a calça skinny, aquela tão justa nas pernas que fica difícil imaginar como alguém consegue entrar nela. Nas revistas especializadas, passarelas e sobre os corpos longilíneos de modelos magérrimas, é linda de morrer. No biotipo nacional, nem tanto.
  Calça muito justa em um corpo curvilíneo, traduzido em cintura marcada, quadril volumoso, bumbum avantajado e coxas grossas, vira quase uma aberração. Em vez de valorizar a silhueta violão – que tanto encanta a ala masculina – ou disfarçar os excessos, esse modelo evidencia ainda mais as formas, segundo a consultora de imagem Ana Vaz, professora do curso de moda do Senac Campinas.
  ‘‘Grudada do tornozelo ao quadril, lembra mais o formato em cone da casquinha de sorvete, deixando o quadril mais largo, o bumbum maior. Tudo cresce’’, observa Ana. ‘‘Culotes, muito comuns nas brasileiras típicas, se destacam. Mas, nas magras, a skinny cai superbem.’’ Para quem não faz o estilo ‘modelete’, Ana avisa que as pantalonas vêm com tudo e, de quebra, favorecem muito o corpo, tanto o das mais cheinhas como o das mais magras. Bendito seja!
  Diferentemente dos modelos sequinhos, o corte das pantalonas abre com folga nas pernas, a partir do quadril – não confunda com boca-de-sino, que é justa nas coxas e alarga apenas depois dos joelhos. Larga e solta, essa modelagem é um clássico que disfarça tudo, pois cria uniformidade visual, já que não dá para distinguir o que é quadril e o que é perna.
  Democrático, esse modelo também beneficia as magras. ‘‘Para ganhar efeito longilíneo, o tecido deve ser molengo e pesado’’, avisa Ana, que também é autora do ‘‘Pequeno Livro de Estilo - Guia para Toda Hora’’ (Verus Editora). ‘‘Evite peças de algodão puro, por exemplo, que armam por causa da trama mais firme.’’
  A moda da skinny pegou tanto que vai permanecer nas ruas durante as próximas temporadas. As brasileiras adotaram a peça por gostarem de roupas que revelam suas formas. ‘‘Sem saber adequar o tipo físico ao que a moda lança, tenho visto muitas cometerem grandes erros’’, atesta a consultora de imagem Roberta Bourguignon. ‘‘Quando a calça é de cintura superbaixa, os looks são ainda mais desastrosos. É o que continuo vendo de mais grave até hoje.’’
  Atenção mulherada: cintura baixa e superbaixa só para barrigas em forma e quadril estreito. Mesmo quem está com tudo em cima, não deve abusar. Por causa da modelagem, o ‘‘cofrinho’’ (aquele comecinho do bumbum que aparece) é muito, mas muito mesmo, deselegante – embora os homens gostem de dar uma espiada. O ideal é usar uma blusa ou camisa que proteja essa parte.
  Ana Cury, consultora de moda e autora do ‘‘Manual de Estilo’’ (Cosac Naify), lembra de mais aberrações associadas ao jeans muito justo. ‘‘É comum ver muitas de quadril enorme usando esse modelo com blusa justa, curta, e os pneus transbordando para tudo quanto é lado. Até as magras devem tomar cuidado, porque a calça aperta e não tem jeito, sempre fica uma gordurinha saltando. Para piorar, tem aquela moda de colocar a calça para dentro de botas com plataforma gigante e escura. Visual mais pesado que esse, impossível, principalmente para quem é gordinha e baixinha.’’

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