Pular de pára-quedas amarrado a outra pessoa, descer cachoeiras e paredões de pedras preso a cordas, realizar peripécias nas alturas montado em bike. Muita aventura e fortes emoções cercam a prática de alguns tipos de atividades esportivas, onde até mesmo a morte é desafiada. São os esportes radicais, que a cada dia atraem um número maior de praticantes.
Coisas da juventude? Nem sempre. Segundo o empresário Ricardo Queirolo, que organiza excursões de turismo de aventura, como o rapel, a faixa etária média das pessoas que procuram essas atividades é de 25 anos, 70% delas do sexo feminino. Vencer o estresse é, para ele, o principal motivo que leva a esses desafios.
Queirolo destaca que não bastam coragem e espírito de aventura, é preciso também hábitos saudáveis como não beber, não fumar, ter preparo físico, além de consciência ecológica indispensável para quem opta por esportes da natureza. Os bons equipamentos e as normas técnicas que regem essas práticas, de acordo com o empresário, garantem bons índices de segurança.
O instrutor de paraquedismo Fábio Pelayo reforça dizendo que a sua atividade não figura entre as 10 mais perigosas. ``O número de acidentes por participantes nos saltos duplos é inferior aos registrados no ciclismo``.
Tensão Muitos esportistas radicais alegam que sua participação em proezas arriscadas é uma fuga do tédio, como arquiteta Andria Tagliari, 24 anos, que há 4 anos pratica canyoning (caminhadas em leitos de rios), rapel seco e em cachoeiras, trilhas ecológicas e escaladas. Para ela, a adrenalina é o único ``ingrediente`` capaz de descarregar as tensões do dia-a-dia agitado da cidade.
Andria conta que durante um curso de rapel formou um grupo de amigos com quem se reúne todos os finais de semana em busca de aventuras. A arquiteta diz ainda que os preconceitos foram vencidos e não há mais o título de ``esporte para homens``. Entre as muitas descidas de paredões e cachoeiras que já realizou, a mais arriscada, segundo ela, tinha 75 metros de queda negativa quando o paredão não permite o apoio dos pés e a corda é o único recurso. As mulheres de seu grupo são sempre as primeiras a cumprir os desafios: ``Somos mais corajosas``.
``Não ter medo e gostar de bicicleta`` são para o mecânico Gleyson Félix Gonçalves, 22 anos, os requisitos necessários para a prática do dirty jump, atividade que se caracteriza em realizar saltos de bicicleta em rampas de terra, madeira ou concreto. Os saltos, segundo ele, atingem cerca de cinco metros de altura, o que exige muita habilidade e equilíbrio para voltar ao chão. Apesar de admitir que o esporte oferece risco, Gleyson encara como uma opção esportiva tal e qual ``jogar uma bolinha``. Ele já venceu dez campeonatos nacionais e três estaduais na modalidade.
O paraquedista Fábio Pelayo explica que a atividade prevê diversas modalidades como a formação de figuras e exercícios individuais ou em grupos realizados durante a queda livre e com o pára-quedas aberto. Os saltos ocorrem, em média, a 10 mil pés o que equivale a 3 mil metros de altura. Dependendo da aeronave é possível alcançar alturas ainda maiores. ``Já fiz saltos a sete mil metros``. Fábio diz que não há explicações para o que se sente: ``É maravilhoso, indescritível``, resume. n

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