As mudanças nas relações de trabalho e a onda de desemprego que assola o País estão mudando o comportamento do brasileiro. Antes, o sonho de ter a casa própria ocupava o ranking das aspirações da maioria das pessoas. Hoje, a realidade mudou. O medo diante da falta de emprego fez com que o sonho de ter um negócio próprio subisse para o primeiro lugar. Dentro desse contexto, a empresa familiar desponta como a melhor saída, pois além de garantir trabalho ao pai de família, também proporciona emprego para a mulher e os filhos.
Mas isso não pode ser encarado como uma receita milagrosa, já que envolve uma série de vantagens e desvantagens. É preciso cuidado na hora de investir as economias na abertura de uma microempresa para não cair nas armadilhas de um mercado que não aceita amadorismo. ‘‘Uma empresa familiar não pode se pautar apenas pela confiança’’, afirma Paulo Di Chiara, consultor do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae). ‘‘É preciso buscar a profissionalização e o empreendedorismo para sobreviver às duras leis do mercado. Caso contrário, os riscos de mortalidade precoce são grandes’’, acrescenta.
Arquivo FolhaCom a morte do pai, Ederson Muffato teve que assumir os negócios da família aos 18 anos de idadePaulo Di Chiara defende também a necessidade de uma liderança dentro da empresa. ‘‘Não é porque é familiar que todo mundo pode mandar. No entanto, essa liderança não deve ser centralizadora a ponto de fazer com que os demais membros da família fiquem à margem dos negócios. É importante que todos saibam como funciona cada setor da empresa. Isso facilitará o processo de sucessão, principalmente nos casos de urgência’’, observa o consultor.
Ele ressalta também que o sucessor deve ser preparado com antecedência, optando por aquele que demonstra mais espírito empreendedor. ‘‘Mas se o filho, por exemplo, não quiser dar continuidade aos negócios da família, essa vontade deve ser respeitada. Mesmo que ele seja o único a assumir o posto. Nenhuma empresa pode ser bem-sucedida com um líder que não gosta do que faz. Nesse caso, é preferível escolher um administrador profissional’’, orienta.
Josoé de CarvalhoOdival Benedito de Matos, a mulher, Suely, e os filhos Caio e Vandré estão há 13 anos juntos no ramo de videolocadoraO consultor lembra que muitas empresas vão à falência devido aos conflitos familiares que começam a interferir nos negócios. ‘‘Muitos acham que só porque é uma empresa familiar todos devem ser chefes e diretores. Ou seja, ninguém quer ser subordinado. Esses conflitos precisam ser contornados ou, então, é melhor a família transformar em empresa em sociedade anônima. Ela continua sendo proprietária, mas os negócios passam a ser administrados por profissionais contratados’’, aconselha Paulo Di Chiara.Dorico da Silva‘‘Uma empresa familiar não pode se pautar apenas pela confiança’’, afirma o consultor Paulo Di ChiaraCelso Mattos

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