Negócio quente
NEGÓCIO QUENTE
Pão, salsicha e muitos ingredientes fazem a alegria dos consumidores de cachorro-quente
Celina Alonso Az
Maringá
Fabiane Lyra prefere um bom cachorro-quente a um almoçoCostuma-se dizer que na Cidade tem um carrinho de cachorro-quente em cada esquina e dois no meio da quadra. É claro que não são tantos assim, mas de qualquer maneira, somente na área central, existem cerca de 250 carrinhos cadastrados. Qual é a razão para tanto sucesso? Quem prepara esses lanches e quais as condições de higiene? E quem é o público fiel dos cachorrões? A maioria funciona como uma lanchonete improvisada e atende a um público variado, formado principalmente por estudantes, vendedores, executivos, taxistas, gente que trabalha à noite, crianças e até algumas madames que levam lanche para comer em casa.
Diferente dos sanduíches tradicionais que continham apenas mostarda e catchup, o cachorrão maringaense é feito com pelo menos 10 ingredientes, fora o pão e a salsicha. Alguns pontos em locais estratégicos chegam a vender 600 lanches por dia. E existe uma fila de pessoas querendo entrar no negócio.
Fiscalização e higiene Segundo o setor de fiscalização da Prefeitura de Maringá, existem normas rígidas para expedir um alvará de funcionamento de carrinho de cachorro-quente. A primeira exigência é de que o candidato seja aposentado, arrimo-de-família, viúvo ou deficiente físico. O carrinho deve ser, de preferência, de aço inoxidável, para conservar os produtos, mas pode ser de outro material desde que seja à prova de contaminação. O preço do carrinho varia de R$ 1 mil a R$ 3 mil, dependendo do equipamento. Nas capitais já existe uma frota de veículos tipo van, no qual já vem adaptado de fábrica todo o equipamento em inox para funcionar como uma microlanchonete ambulante.
A família Terto comanda a microempresa e o Disk-Cachorrão famíliaA fiscalização da Vigilância Sanitária determina algumas normas de higiene que devem ser rigorosamente obedecidas para evitar prejuízos. Segundo a sanitarista Dora Lígia Bombo, o carrinho deve ter recipientes tampados e, exceto o de água fervente para a salsicha, o resto deve ser refrigerado. Recomenda-se fazer a salada de tomate em casa e não no local. Em caso de ficar na rua o dia todo, a salada e a maionese (que deve ser industrializada) devem ser substituídas duas vezes para não estragarem com a ação do tempo e devem ser guardadas em plásticos para não oxidarem em contato com o alumínio. Ainda segundo a Vigilância Sanitária, os lanches devem ser manuseados com luvas plásticas descartáveis ou pinças e espátulas para que não sejam tocados por quem os prepara.
Brilhante Há 14 anos, a família do comerciante João Francisco Terto vive de vender cachorro-quente. O seu carrinho é sempre muito bem higienizado pelo filho Luciano, de 16 anos, que chega a lustrar o alumínio para ficar bem limpinho e brilhante. O ponto fica numa das esquinas mais movimentadas da cidade, e graças a ele, o chefe-de-família, que largou o serviço de pedreiro, pode criar e educar os seis filhos. A família toda se reveza dia e noite para abastecer o carrinho e atender ao público 24 horas. Eles têm uma Kombi com um freezer que abastece o carrinho com os produtos perecíveis. Quando está terminando o estoque de bacon, tomates ou de frango, ele corre para pegar mais em casa. A Kombi ainda faz o serviço Disk-Cachorrão, que entrega os pedidos dia e noite. Luciano cuida da carrocinha durante o dia e já conhece os hábitos do seu consumidor. É só o cliente chegar que ele pergunta se é o de sempre e vai logo preparando o lanche do jeitinho que o freguês gosta.
A vendedora Fabiane Lyra, 20 anos, é uma consumidora assídua. Trabalho numa loja e só tenho 15 minutos para o almoço. Comendo cachorro-quente ganho tempo e economizo. Se fosse comer num restaurante gastaria cerca de R$ 3,00 num prato com refrigerante, na carrocinha só pago R$ 2,00. Seu lanche é composto de duas salsichas, maionese, catchup, peito de frango frito, rodelas de calabresa, salada de tomate e batata palha.





