A estética hippie-chic da Ellus: verão mais brasileiroVoltando às suas origens, Walter Rodrigues deu uma nova interpretação às roupas de festa. Nascido no interior paulista, viveu o costume de reservar as melhores roupas para a missa e as festividades do domingo. Na passarela, a lembrança apareceu em forma de vestidos brancos (referência ao batismo) com delicados bordados e muita transparência. Os pretinhos vêm mais modernos, em comprimentos variados, ora vazados com brilho, ora repuxados, drapeados e formando dobras que se sobrepõem. Lindíssimas as sandálias da Arezzo, com pequena plataforma brilhante e tiras de veludo.
A Viva Vida continua fiel às mulheres que veste e apresenta uma das mais completas coleções. Ao associar as deusas gregas a diferentes estilos femininos, engloba todas as tendências vigentes. Dessa forma, Deméter sai de branco total, Ártemis é esportiva, Hera, executiva (com direito a terno e gravata), Atena exalta a feminilidade, Perséfone representa a sofisticação, e Afrodite seduz com formas longilíneas próximas ao corpo.
Efeito navalhado da G: técnica apuradaA natureza também é referência para a moda do próximo verão. Enquanto a Beneduci cria suas formas de olho no shape da borboleta, acrescentando azul, vermelho e viláceo aos tons básicos, Renato Loureiro faz um passseio pela fazenda, trazendo de lá tecidos naturais, como cambraias, tricolines e os novos linhos, além dos bordados antigos, como o Richelieu, o ajour e as nervuras. As formas são amplas, arrematadas por aventais ou grandes bolsos do avesso, ‘‘pendurados’’ em calças e saias.
Sempre aguardados com expectativa, os desfiles de Alexandre Herchcovitch e Lino Villaventura são um show à parte. Mas quem esperou ver novidades no trabalho de Herchcovitch saiu com a sensação de deja vu. O estilista fez uma espécie de retrospectiva das suas coleções anteriores, explorando as formas próximas ao corpo e a estética sadomasoquista dos anos 80, além de reeditar a caveira, símbolo da marca. A novidade é o jeans, com forte apelo comercial, feito pela primeira vez em escala industrial.
Lino Villaventura não fugiu à regra. Logo no início arrancou aplausos da platéia com o cenário teatral: fios de areia caíam do teto num efeito ampulheta. Poucos, entretanto, sentiram o tempo passar. A maioria, assistia, hipnotizada pelos olhos mágicos das modelos (todas com lentes pretas), o precioso trabalho de nervuras, que formavam volumes diferenciados nos vestidos, também marcados por casas de abelhas, bordado usado em roupas infantis. A maquiagem de Celso Kamura, inspirada na cena inicial do filme Emak Bakia do fotógrafo americano May Ray, criava um olho aberto sob a pálpebra, um visual de arrepiar que fica como a imagem mais forte desta quinta edição do MorumbiFashion.
* A jornalista Rosângela Vale viajou a São Paulo a convite do MorumbiFashion.

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