Fotos: Milton DóriaSolado de camurça e tiras de couro, da ArezzoComo alternativa aos saltos-agulha, que privilegiam a elegância, e nem sempre o conforto, as plataformas chegam com a vocação de ser o hit da temporada. Seguindo os passos da marca italiana Prada, que consagrou o modelo no verão europeu, a maioria das grifes brasileiras apostou na idéia e fez versões diferenciadas que já começam chegar às vitrines.
Apesar de ganhar uma cara moderna, com materiais variados e design arrojado, as plataformas não são novidade no mundinho fashion. Suas parentes mais próximas, as chopines venezianas - sapatos com sola inteiriça que atingiam até 76 cm de altura -, datam do século 16. Na época, o modelo era símbolo de status e riqueza, e o fato de impossibilitar as mulheres de andar era um mero detalhe. Na história da moda, constam registros de turistas que iam para Veneza só para ver tais estátuas vivas em seus pedestais.
Sandália de dedo da Zoomp: cor atual
Desafiando o bom senso, a demanda por chopines se espalhou pela França e Inglaterra - a ponto de levar à indignação os noivos ingleses, que conquistaram o direito de anular o casamento se constatassem, durante as núpcias, que a noiva falsificou a altura. O modelo só cairia em desuso dois séculos depois, quando se descobriu que o rebaixamento da parte frontal da sola tornava os sapatos altos mais viáveis. Nascia, assim, o salto.
O solado inteiriço voltou aos pés femininos no começo do século XX, sob nova denominação: as plataformas nunca foram tão altas quanto as chopines, mas conquistaram a preferência de mulheres menos privilegiadas pela natureza, como a minúscula Carmen Miranda, que aterrissou em Hollywood no final dos anos 30, carregando malas cheias de solas enfeitadas. O modelo saiu de cena no pós-guerra, mas voltou à ativa na década de 70, quando era usado tanto por homens como por mulheres, incluindo pop stars como Diana Ross e Elton John.
Tiras de nylon e solado injetável, da Zoomp: material tecnológico
De acordo com os cálculos dos historiadores de moda, as plataformas aparecem em intervalos de 20 anos, portanto, o momento é delas novamente. Disponíveis em tons atuais - como bege, marrom, vinho, preto e até em jeans bruto (na versão da Arezzo), e em materiais tecnológicos como o solado injetável da Zoomp, elas não fazem feio em nenhuma situação.
Duas tiras finas e alças que se cruzam no tornozelo: versão da Germon’s do modelo consagrado pela Prada
‘‘Com terninho, saia ou calça jeans, a plataforma garante a elegância, pois deixa a mulher mais alta, e ao mesmo tempo, confortável’’, observa a coordenadora de estilo da Zoomp, Luciana Amarante. Diante do apelo fashion e dos antecedentes históricos, o jeito é render-se até que a moda dê o próximo passo.

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