Não parece, mas é
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Estudo feito por um hospital do Reino Unido, divulgado nas últimas semanas, deixou a população e os médicos preocupados com relação à real proteção oferecida pelos protetores solares. Segundo a pesquisa, os cremes e loções disponíveis não protegem a pele contra os raios UVA, maiores responsáveis pelo câncer de pele e até pouco tempo atrás ignorados.
Segundo o dermatologista Andrei Bungart Nonino, o maior problema com relação aos raios UVA é que eles não produzem os mesmos efeitos que os do tipo UVB. ''Quando exposta aos raios UVA, a pele não fica vermelha ou irritada. O que provoca as queimaduras são os raios UVB, mas já sabemos que a radiação UVA também provoca câncer, a longo prazo'', esclarece.
Outro fator que torna os raios UVA tão preocupantes, é o fato de eles não serem bloqueados pela camada de ozônio ou por nuvens e por possuir uma intensidade igual durante todo o dia, podendo danificar a pele independentemente do horário da exposição. ''Os raios UVA, responsáveis pelo bronzeado, são usados em câmaras de bronzeamento artificial e devem ser evitados ao máximo, pois prejudicam a pele sem que a pessoa note'', alerta.
Devido à preocupação com a radiação UVA ainda ser recente, alguns produtos ainda não possuem proteção adequada para ela. Mas vários bloqueadores solares disponíveis no mercado brasileiro já oferecem essa proteção. Nonino explica que ainda não existe uma tabela numérica para definir a intensidade de proteção, como ocorre no caso do Fator de Proteção Solar (FPS), que bloqueia a radiação de raios UVB. ''Quando for comprar um protetor solar, é importante que a pessoa procure no rótulo do produto a indicação de proteção alta ou total contra raios UVA. Muitos produtos já possuem'', explica.
Mas o mais importante, segundo Nonino, é evitar o sol e usar protetor solar todos os dias. O dermatologista explica que mesmo as pessoas que ficam dentro de locais fechados a maior parte do tempo estão sujeita aos raios que entram por janelas e portas. ''Quem não se expõe ao sol diretamente deve aplicar o protetor duas vezes por dia, uma pela manhã e outra no horário de almoço. Já as pessoas que trabalham em locais abertos e ficam no sol devem passar o protetor a cada duas horas'', ensina. A escolha do FPS também é importante para garantir a segurança durante o dia. O fator de proteção vai depender do tipo de pele de cada pessoa e o tempo de exposição ao sol. ''O ideal é usar pelo menos um fator de proteção solar número 15'', afirma Nonino.
Para pessoas que possuem pele oleosa, uma opção são os protetores em gel, mas eles precisam ser reaplicados com frequência maior que os comuns. Crianças possuem protetores próprios, com proteção garantida contra raios UVA e UVB. Um bom protetor para crianças é mais denso e difícil de espalhar do que os convencionais e crianças com menos de seis meses não podem usar protetores de qualquer tipo, devido à sensibilidade da pele. Para as mulheres que usam maquiagem e não se sentem confortáveis com o protetor, já existem cosméticos que oferecem filtros de proteção. ''Mas mesmo usando maquiagem com proteção, o protetor é fundamental. Deve-se aplicar o protetor, que pode ser do tipo gel para evitar a oleosidade, e depois aplicar a maquiagem, que, se tiver protetor é melhor ainda'', explica o especialista. n


