Não mudei por decepção na carreira, mas por opção
A lojista Graziela Tavares Fuzzo deu uma guinada na carreira após 18 anos trabalhando como engenheira da Copel. Com uma carreira estável em uma empresa pública, ela poderia facilmente ter se aposentado na função, mas o desejo de ter os próprios horários e o próprio negócio falou mais alto.
Há 16 anos ela viu a oportunidade de abrir uma loja, após receber a dica de uma amiga. "Ela falou de uma marca e da possibilidade de abrir uma loja, então fui até São Paulo ver como funcionava. Comecei a pensar no assunto e abri a primeira loja em novembro de 1997. Como não sabia o que ia acontecer, continuei trabalhando como engenheira na Copel, até que em 2001 estava difícil conciliar as duas funções e acabei entrando com um plano de demissão voluntária", conta. Hoje ela é dona de oito lojas, sendo duas em Londrina e seis em Curitiba - duas são multimarcas e as outras seis são de franquias de marcas famosas.
"Não me arrependi de ter mudado, apesar de gostar muito da engenharia. Não mudei por decepção na carreira e sim por uma opção, para ter mais tempo para mim, para meus filhos. Eu queria ser dona do meu negócio porque me sentia muito presa aos horários da empresa e isso me incomodava muito". Na época, os dois filhos ainda eram pequenos, um com 7 e outro com 4 anos. Atualmente, os negócios deram tão certo que o marido dela, Mauro Fuzzo, também teve que mudar de carreira. "Ele é advogado, mas largou o direito e cuida da parte financeira das lojas. Eu faço a parte comercial. Estamos felizes com o rumo dos negócios", conta.
Às vezes, no entanto, o sonho de mudar de carreira não tem a ver com o desejo de ter o próprio negócio. A maquiadora Carolina Rodrigues, conhecida como Carol Rodrigues, se formou em psicologia em 2008 e começou a trabalhar em uma clínica como terapeuta de casal. "Sempre gostei de ouvir, aconselhar, ajudar minhas amigas com problemas, por isso escolhi cursar psicologia. Só que acho que as pessoas precisam escolher a profissão quando ainda são muito jovens, imaturas, e nessa fase você escolhe baseada no momento. Nem sempre essa é a melhor opção para o resto da vida", explica.
Quando terminou a faculdade e começou a atuar na profissão, percebeu que não gostava da vida de consultório. "Sou muito dinâmica, gosto de conversar com muitas pessoas diferentes, então comecei a pensar em mudar de rumo". Ao mesmo tempo, Carol já atendia amigas e conhecidas da família quando precisavam de maquiagem para festas ou eventos. "Minha agenda foi ficando cheia, meus clientes aumentaram e por isso decidi mesmo mudar de carreira", conta, ressaltando que maquiagem é uma paixão antiga.
Hoje ela trabalha em um salão, tem a agenda lotada, criou um blog sobre maquiagem e garante não se arrepender da escolha que fez. "Tive apoio do meu marido, dos meus pais, e sou muito feliz com minha profissão, mesmo trabalhando nos finais de semana". O processo de decisão, no entanto, não foi simples. "Tive que procurar ajuda e fiz terapia, inclusive, para conseguir tomar a decisão de largar de vez a psicologia", conta. (P.B.O.)







