Não morra pela boca
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de julho de 2002
Érika Pelegrino <BR>Reportagem Local 
Alimentar-se tornou-se hoje um problema e, muitas vezes, fonte de doenças. Os hábitos mudaram junto com o avanço tecnológico e o tempo é escasso demais para ser gasto com auto-cuidado. Descascar uma fruta pode ser um ato muito demorado para os padrões de tempo atuais, que cultuam alimentos processados. A agricultura lança mão de agrotóxicos para apressar a colheita. O solo envenenado e empobrecido de nutrientes devolve para o homem apressado o alimento que poderá adoecê-lo.
Um ciclo difícil de interromper, mas para o qual muitos buscam alternativa. Como manter a saúde e alimentar-se de forma a garantir o bem-estar? A resposta está no retorno de hábitos mais sábios e antigos. Deixar de lado os alimentos processados e voltar a ingerir os velhos e bons carboidratos, proteínas, verduras, legumes, gorduras, sais minerais.
Para isto é preciso uma reengenharia do tempo. As pessoas precisam ter tempo para planejar o que vão comer e sentar-se à mesa. O médico Júlio Igashi, especializado em nutrologia e medicina chinesa, afirma que a dieta ideal é justamente comer de tudo um pouco. Ele afirma que o alimento pode ser visto em três aspectos: combustível, antioxidante e fonte de energia vital.
O primeiro aspecto refere-se à reposição de alimentos necessários para manter o organismo em funcionamento. Para isto a pessoa deve se alimentar de carboidratos, verduras e legumes, gorduras e sais minerais (nesta ordem). Função importante dos alimentos é evitar a oxidação do organismo. O corpo oxida, ou seja, enferruja como os metais, entrando em processo degenerativo.
A oxidação do organismo é obra dos radicais livres (RL). A própria respiração produz os RL, assim como a alimentação (gorduras saturadas), os agrotóxicos, os metais pesados encontrados em sprays, panelas (alumínio); tinta (chumbo); amálgama, peixes em regiões de garimpo (mercúrio), poluentes (derivados de petróleo) e outros.
Para combater a oxidação é preciso ingerir alimentos antioxidantes. Júlio Igashi afirma que as vitaminas E, C, betacaroteno (precursor da vitamina A), complexo B, são antioxidantes. Ele acrescenta que o envelhecimento é um processo de oxidação do organismo e, pessoas a partir dos 40 anos, em alguns casos até antes, precisam ingerir antioxidantes e também suplementos.
Os primeiros sinais de que as células do corpo estão envelhecendo, segundo Júlio Igashi, são: dificuldade em enxergar de perto, aparecimento de rugas, falta de hormônios, perda de força (massa muscular), surgimento de doenças degenerativas (artrose, esclerose, por exemplo).
Quando fala em processo degenerativo, a medicina ortomolecular concentra a atenção em micronutrientes como: zinco, cobre, manganês e vitaminas C, E, complexo B e betacaroteno.2
Hoje, na opinião de Igashi, em função da depredação do meio ambiente, é muito difícil a pessoa ter uma alimentação que forneça ao organismo tudo o que ele necessita. Uma alternativa é o acompanhamento médico para o repor nutrientes, sais minerais, com suplementos.
Mas como essa não é uma saída acessível para grande parcela da população, comer de tudo um pouco, evitando ao máximo os alimentos processados, buscando sempre alimentos provenientes da agricultura orgânica, ainda é a melhor forma de manter a saúde do corpo. (E.P.)


