Não é milagrosa, mas faz efeito
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quinta-feira, 16 de março de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Pouco conhecida da população, a medicina ortomolecular tem chamado a atenção nos últimos tempos pelo grande número de famosos que aderiram à idéia. Como a maioria das celebridades garante que perdeu peso e conseguiu manter a forma através da ortomolecular, essa área da medicina começa a ser vista como a salvadora dos gordinhos que já tentaram as dietas mais absurdas e não tiveram bons resultados.
O que pouca gente sabe é como ela funciona e de onde surgiu essa prática que utiliza a suplementação alimentar para equilibrar o organismo. ''A medicina bio-ortomolecular não é uma especialidade médica, mas sim um capítulo da medicina. O médico americano Linus Pauling foi o primeiro a falar disso, por volta de 1965. Ele descobriu que a vitamina C podia ser usada como antioxidante, evitando que as células do corpo 'enferrujassem', retardando o envelhecimento'', conta o médico nutrologista Julio Takeuki Higashi.
Ele lembra que depois dessa descoberta, outros radicais-livres e antioxidantes também apareceram e foram servindo de base para o desenvolvimento do tratamento com a ortomolecular. ''O princípio é melhorar a condição das pessoas com menos efeitos colaterais possíveis. Para isso, a maioria dos médicos ortomoleculares usa suplementos, alimentação e medicação combinados com práticas de fitoterapia, acupuntura, medicina tradicional chinesa'', diz.
Nos casos de obesidade, o especialista lembra que a ortomolecular não pode ser vista como mais uma dieta milagrosa, na qual a pessoa irá perder peso rapidamente apenas tomando comprimidos. ''A obesidade é algo muito complexo. Não dá para resolvê-la apenas com uma equação de exercícios mais alimentação. Temos que levar em conta a resposta cerebral, os estímulos equivocados que o cérebro envia para o organismo quando sente carência de determinado nutriente. Com isso, a pessoa acaba comendo exageradamente e engordando'', explica.
Outros problemas como disfunção da tireóide, metabolismo e hormônios desregulados, distúrbios psicológicos, alergias e ansiedade também são examinados antes do tratamento ser aplicado. ''O paciente passa por uma bateria de exames para verificar qual o motivo do ganho de peso e qual a melhor maneira de resolver o problema'', afirma.
Outro trabalho importante da medicina ortomolecular é transformar a gordura existente no corpo em uma forma mais fácil de ser eliminada pelo organismo. ''Existem dois tipos de gordura, a branca e a marrom. A marrom é mais fácil de perder e a suplementação pode melhorar a qualidade da gordura e auxiliar a perda de peso'', explica Higashi.
Embora pareça simples, ele garante que o tratamento ortomolecular precisa de disciplina e é algo que deve ser seguido para sempre. ''Se for feito de forma correta, ele tem bons resultados na perda de peso. Isso significa fazer exercícios físicos, seguir a alimentação correta e manter o equilíbrio metabólico. Depois que aprende, a pessoa faz isso sozinha, mas se não se cuidar o peso pode voltar'', alerta.
E além de ajudar quem quer emagrecer, a medicina ortomolecular também é procurada por gente que deseja apenas manter a saúde. ''Ela serve muito bem como uma forma de prevenir doenças. Atletas a utilizam para repor os nutrientes que perdem em treinamentos mais intensos como corrida e triatlon. Muitas pessoas procuram para retardar o envelhecimento e as doenças degenerativas e também sabemos que é possível usar a terapia para auxiliar no tratamento de depressão'', afirma.
A atriz Priscila Fantin perdeu oito quilos em cerca de seis meses com essa dieta e garante que os benefícios do tratamento vão além da estética. ''Eu tinha TPM, retenção de líquido e me sentia cansada. Resolvi procurar a medicina ortomolecular, que me ajudou muito na reposição de substâncias que faltavam e equilibrando meu metabolismo. O organismo todo ganhou com isso. Hoje me sinto melhor e mais disposta.''


