Não é doença, mas atrapalha
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Da Editoria 
''Ela nunca tem vontade de ter relação comigo'', alega o marido, 50 anos. ''Ele quer todo dia e eu não tenho vontade'', justifica sua esposa, de 54 anos. O que poderia ser o início de um processo doloroso de afastamento pode ser resolvido com uma providência simples: procurar ajuda médica e psicológica.
Casos como o deste casal são frequentes na fase do climatério da mulher. A esposa reclama que o marido não respeita o seu tempo e ele critica o fato de ela não acompanhar a vontade dele. As diferenças de fases e a falta de diálogo entre os parceiros são os principais responsáveis por esses atritos.
Segundo a ginecologista do Ambulatório do Climatério da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Carolina Carvalho, queixas como essas são extremamente comuns nos atendimentos. ''As mulheres geralmente perdem a vontade por diversos problemas hormonais e os parceiros não compreendem essas mudanças''.
Para a psicóloga do mesmo ambulatório, Mara Pusch, o que a mulher mais quer quando procura o tratamento é ''livrar-se'' da insistência do parceiro. ''A indiferença delas é tão grande que, às vezes, até sugerem que eles procurem outras parceiras, mas se eles levam a sério elas não aceitam''.
Segundo a ginecologista, as principais disfunções na menopausa são anorgasmia (falta do orgasmo) e diminuição do desejo sexual, muitas vezes causadas por problemas psicológicos, ejaculação precoce ou disfunção erétil dos parceiros. ''Uma das principais dificuldades do médico é conseguir descobrir o que veio antes, se a falta de interesse da mulher ou os problemas físicos do homem. Por isso é necessário que o tratamento seja feito com o casal''.
Nem frescura, nem desinteresse No caso de outra paciente, alguns destes problemas foram responsáveis pela queda de seu interesse sexual. ''Primeiro, eu tive problemas relacionados à minha idade, como queda de hormônios'' explica. Porém, o casal não sabia dessas transformações e o marido não aceitava suas queixas. ''Ele queria ter relação a todo custo e eu reclamava de dor, mas ele achava que era frescura minha''.
Segundo a ginecologista Denise Carvalho, a dor na relação é normal no período do climatério, sobretudo quando não há um acompanhamento médico. ''Uma das consequências da queda na taxa de hormônios é o ressecamento da vagina, o que causa ardor em função do atrito. Se não houver reposição hormonal, a mulher geralmente perde o prazer''.
Mas o problema também pode estar no homem. Segundo o urologista da Unifesp Joaquim de Almeida Claro, após os 50 anos a possibilidade de o homem apresentar qualquer tipo de disfunção sexual é de 50%. E o problema da disfunção gera outras consequências. ''Sabendo da maior possibilidade de ter disfunção erétil, o homem acelera a ejaculação, com medo de 'falhar' e a mulher não tem prazer'', explica Joaquim.
Ainda segundo o médico, embora esse problema pareça grave, com o acompanhamento profissional a maioria dos casos é resolvida. ''Se o paciente contar com auxílio médico, dificilmente ele vai continuar com essas disfunções'', afirma. ''Além do tratamento, o diálogo entre o casal é essencial e também pode resolver o desentendimento sexual''.
Final feliz Segundo o marido do primeiro depoimento, só depois que sua esposa começou a frequentar o Ambulatório do Climatério é que eles entenderam o que estava se passando. ''Eu achava que ela não tinha mais vontade por problemas em relação a mim e me sentia muito mal com isso'', conta. ''Depois que viemos ao ambulatório, eu entendi que era da idade e que, com o tratamento, a gente conseguiria resolver. E foi o que aconteceu''. Com acompanhamento médico, os dois já se entendem melhor e têm uma relação de cumplicidade. ''Conseguimos achar o equilíbrio e hoje nossa relação sexual é boa pra mim e pra ela'', afirma.


