Não descuide da pele no inverno
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quinta-feira, 16 de maio de 2002
Rosângela Vale Reportagem Local 
Se no verão os cuidados com a pele devem ser intensos, no inverno a coisa não é diferente. Além de protetor solar o sol também queima e provoca manchas nessa época é preciso se precaver contra o vento e o frio, que aceleram a evaporação da umidade cutânea, ocasionando descamação e rachaduras. Junte-se a isso os banhos quentes, que ressecam ainda mais a pele, e o resultado é um desastre total: aparência comprometida e uma série de desconfortos.
A médica dermatologista Jorgete Megid Carrilho explica que no inverno existe uma diminuição da produção sebácea, o que deixa a pele mais ressecada. Os banhos em temperaturas mais elevadas também contribuem para o ressecamento. Esses fatores causam a diminuição da camada lipídica. Por isso, a sensação de repuxamento e coceira, diz.
Ela conta que é comum atender casos de coceira, desencadeada por ressecamento, principalmente em pessoas idosas e alérgicas, que têm a pele mais sensível ao frio. Nesse caso, o problema é resolvido apenas com hidratação, garante. Outro problema comum nos meses de frio é a dermatite seborreica, que pode comprometer o couro cabeludo (ocasionando caspa) e também as regiões mais oleosas da face, provocando manchas avermelhadas e descamativas. A pessoa acha que a área está ressecada, passa creme e isso acaba agravando o quadro, adverte a dermatologista.
Risco de micoses As alergias por lã e tecidos sintéticos, como o da meia-calça, também são frequentes no inverno. Se puder, sempre dê preferência a tecidos de algodão, que apresentam menor risco de desconforto para a pele, aconselha Jorgete. Ela explica que, quando a temperatura cai, as pessoas transpiram menos e tendem a tomar menos líquidos, deixando de hidratar o organismo. É preciso ficar atento a isso e não se esquecer de beber água, avisa. Se for tomar banho quente, que seja rápido. Evite usar buchas de qualquer espécie: elas destroem a camada de proteção da pele e aumentam o ressecamento, ensina. Cuidado também com sabonete em excesso. Ele deve ser passado no corpo uma única vez, diz. Depois do banho, regra básica: hidratante sempre.
Atenção também com as mãos e os pés. Meias e sapatos usados com frequência aumentam o risco de micoses. A tendência é o sapato ficar úmido e ser colonizado por fungos. É preciso secar bem os pés, usar talco antisséptico depois do banho e evitar usar o mesmo sapato por vários dias consecutivos, aconselha. Já as mãos ficam muito mais sensíveis a produtos químicos nesta época do ano, que podem causar fissuras e ressecamento. A dica é usar luvas de borracha na hora da faxina e hidratante específico depois.
Para os negros, os cuidados devem ser ainda maiores. A tendência, no inverno, é ressecar e ter manchas brancas. É preciso manter a pele sempre hidratada e protegida do sol para evitar esses problemas, avisa Jorgete, informando que alguns princípios ativos, como o ácido retinóico, são evitados pelos especialistas quando tratam esse tipo de pele, por causa do risco elevado de causar manchas.
Marcas utilizam mesmos princípios ativos
Quem é que já não questionou, na hora de comprar um hidratante, como aquelas marcas antigas conseguem sobreviver num mercado repleto de novas promessas em tecnologia? Praticando preços tão camaradas, será que elas realmente são eficazes quando comparadas as top de linha na área de cosméticos? A médica dermatologista Jorgete Megid Carrilho diz que sim, desde que a pessoa não tenha nenhum tipo de problema na pele.
Ela explica que antigamente havia um preconceito da área médica em relação aos cosméticos de forma geral, pois não existiam pesquisas científicas na área. Nos últimos anos, o cenário mudou. As indústrias passaram a dar referências sobre os princípios ativos utilizados, mostrando que existem pesquisas sérias em cima de cada produto. Muito daquele preconceito se foi, diz, esclarecendo que esses princípios ativos acabam sendo adotados por todas as marcas nas suas formulações.
De acordo com Jorgete, de forma geral, os cremes disponíveis no mercado atualmente oferecem fatores de proteção de 8 a 15. E estão agregando várias funções ao produto: hidratação, proteção, nutrição e, muitas vezes, renovação celular, observa. Tudo em função do ritmo de vida das mulheres modernas, que não têm tempo de ficar passando vários produtos no corpo.
Há muitas ofertas de produtos no mercado, a preços variados, que realmente funcionam para quem não tem problemas dermatológicos. Caso contrário, é preciso procurar um médico para indicar produtos específicos ao problema, afirma. Os sinais de que o creme utilizado não é adequado à pele, segundo a dermatologista, são irritação, ardência, prurido, descamação, ressecamento, manchas e erupções (bolinhas semelhantes à acne). Muitas vezes, os efeitos são apenas iniciais e desaparecem com a continuidade do uso. Mas é preciso ter um especialista como referência, ressalta. (R.V.)


