Não é só uma questão de falta de conforto. O sapato bonito, que ajuda a manter a pose e a calça justa, do tipo skinny, e evidencia as formas, pode prejudicar a saúde. Mas, para evitar problemas, não é preciso abrir mão do lado fashion. No caso dos sapatos, o bem-estar do corpo não é mais uma preocupação só das marcas ortopédicas: várias empresas badaladas têm apostado nessa linha.
Basta passar os olhos pelas vitrines para perceber que a elegância já não depende de sofrimento. Se antigamente os sapatos confortáveis eram antiquados e voltados para as mulheres mais velhas, hoje termos como ''comfort'', ''flex'' e ''therapy'' acompanham calçados de marcas que por muito tempo estiveram mais voltadas à beleza do que para o bem-estar de quem os calça.
''Há 12 anos, somente as senhoras buscavam esses produtos, pois havia a crença de que um calçado confortável tinha de ser ortopédico e que isso era sinal de 'problemas nos pés'. As mulheres mais jovens olhavam com preconceito'', relata a diretora da marca de calçados Usaflex, Simone Kóhlrausch. ''Durante esse tempo, nos especializamos em calçados confortáveis. Incorporar itens da moda ao produto foi uma evolução natural'', conta. Algumas das características da marca, segundo Simone, são os solados estáveis, palmilhas que amortecem o impacto e tiras distribuídas de uma forma que respeita a anatomia dos pés.
Para a diretora de desenvolvimento da Piccadilly, Ana Carolina Grings, a adoção de peças mais confortáveis reflete o cotidiano cada vez mais agitado das mulheres. ''Um sapato confortável com certeza aumenta a disposição no final de um dia de trabalho'', diz.
Alguns dos trunfos das marcas que investem no conforto fashion são os materiais especiais e as estruturas diferenciadas. ''Investimos na matéria-prima, em materiais que ajudam a absorver a transpiração, palmilhas que hidratam os pés e nos forros macios'', diz a gerente de marketing dos Calçados Beira Rio, Maribel Silva. Para ela, a tendência de valorização do conforto é mundial.
A produtora de moda Suzana Ginez, de 25 anos, vê com bons olhos essas mudanças no mercado de sapatos. ''Ainda existem muitas marcas de calçados que não valorizam o conforto acima da estética, mas vejo essa mudança ocorrer a pequenos passos. A moda das sapatilhas, que veio e ficou, foi uma grande ajuda para quem preza o conforto, mas é preciso de uma boa alternativa para poder ir aos eventos sociais'', lembra.

Sem aperto
Especialista em pé e tornozelo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a ortopedista Cibele Réssio diz que o principal problema relacionado aos calçados é o salto. Para ela, os que têm mais de três centímetros são inadequados. ''E não importa se for do tipo Anabela, plataforma ou quadrado''. O impacto dos saltos sobre a saúde foi o tema de sua dissertação de mestrado.
Segundo ela, o primeiro sinal de que o calçado é inadequado é a dor. Depois, surgem as calosidades e deformidades, como a joanete - em alguns casos, os dedos começam a ficar mais juntos, são os chamados ''dedos em garra''. Além disso, a musculatura da batata da perna pode encurtar. E o pior: muitos desses efeitos permanecem mesmo quando a pessoa deixa de subir no salto.

Nos pés de celebridades
Fora do Brasil tem muita gente que não se importa com a aparência dos sapatos, desde que eles deixem seus pés à vontade. Jovens atrizes de Hollywood, como Kirsten Dunst, Maggie Gyllenhaal, Katie Holmes, Carey Mulligan são vistas usando sapatilhas de marcas famosas, algumas até com design bem antiquado.
Para a extravagante Helena Bonham Carter, atriz de "Alice" e mulher do diretor de cinema Tim Burton, o sapato da marca Z-Coil foi a solução para dores nos pés e na coluna. Com uma grande mola visível no calcanhar, o calçado promete maravilhas, mas não convence com sua aparência um tanto inusitada.

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