Apesar das vantagens do aprendizado de uma língua estrangeira, profissionais como a fonoaudióloga Silvia Rocha atentam para certos cuidados que os pais devem ter ao matricular seus filhos num curso de idioma ou escola bilíngue desde cedo. ''Antes de matricular a criança em curso de línguas, é preciso saber se ela apresenta algum distúrbio fonológico, pois é possível que os pais confundam o problema como uma consequência do outro idioma. A longo prazo, isso prejudicaria tanto o aprendizado quanto o diagnóstico da criança'', alerta.
Para Marli Lackner, coordenadora da escola bilíngue St James, a dica é para que a língua materna nunca seja colocada em segundo plano. ''Cada criança tem seu tempo. Primeiro aprende uma palavra, depois uma frase, e mais tarde ela passa a raciocinar em inglês'', afirma. E não adianta também ''forçar a barra''. De acordo com Rubem Cauduro, do CCAA, ''a criança deve sentir vontade em aprender. Para isso, ela não pode encarar as aulas como uma obrigação, mas sim como um estímulo à curiosidade, uma brincadeira gostosa. Por isso aconselhamos que os cursos para essa idade não ultrapassem duas horas semanais. Cobrança demais inibe e cria a frustração'', diz.
''A criança aprende a falar escutando. O domínio de qualquer idioma é iniciado pelo primeiro contato, ou seja, pela percepção auditiva que fica gravada na memória'', avisa a fonoaudióloga. Outra vantagem do aprendizado na infância é a ausência de sotaque na pronúncia. Mesmo as pessoas que falam fluentemente o inglês, mas que aprenderam um pouco mais velhos, acabam por dar pequenas ''pistas'' de sua nacionalidade. ''Nesta fase da vida (infância), o aparelho da fala ainda está em formação. Portanto, a criança aprende certos sons que os brasileiros não costumam falar e sentem mais dificuldades em pronunciar posteriormente'', ressalta Cauduro.

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