Nanotecnologia em cosméticos sob suspeita
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quinta-feira, 09 de agosto de 2007
Daniela Tófoli<br> Folhapress 
Preocupados com possíveis efeitos colaterais de cosméticos ou remédios à base de nanotecnologia, europeus e norte-americanos começam a investir em pesquisas que apontem os riscos da novidade. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela liberação de medicamentos e cosméticos, ainda não realiza testes específicos com esses produtos.
Questionado pela reportagem, o órgão afirmou não ter estatística sobre quantos deles foram aprovados e estão à venda no país. A assessoria de imprensa informou que não há legislação nem testes específicos para nanotecnologia, mas que todo cosmético ou remédio passa por testes antes de ser liberado.
Os dermatologistas lembram que é preciso cautela. ''Se não houver um receptor específico, as pequenas partículas podem ir para a corrente sanguínea e ser prejudiciais'', afirma Denise Steiner, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia. ''Pode haver absorção e alergia. É preciso mais comprovação e dados de segurança'', explica.
Maurício Pupo, coordenador de pós-graduação em cosmetologia da Unicastelo (SP), da Unigranrio (RJ) e da Metrocamp (Campinas), reconhece que é preciso considerar que as partículas entrem no organismo. ''A União Européia está barrando alguns cosméticos com nanotecnologia por terem partículas muito pequenas.''
''Se essa partícula não for de uma substância já tolerada pelo organismo, como vitaminas, ferro, zinco, não sabemos o que pode acontecer'', completa Puppo, que também é consultor na formulação do Corrige Lines, da Ada Tina.
Israel Feferman, diretor de pesquisa e desenvolvimento do Boticário, afirma que não há o que temer. ''As partículas não chegam à corrente sanguínea'', afirma. Se isso acontecer, diz, os componentes são naturais e aceitos pelo organismo.
Jean Luc Gesztezi, cientista da Natura, diz que o tamanho da partícula utilizado pela empresa (150 nanômetros) é grande o suficiente para não causar efeitos adversos. Gesztezi também afirma que há estudos que determinam a segurança dos produtos.
Produtos ganham adeptos no Brasil
Micropartículas de vitaminas e de substâncias como colágeno entram na pele e prometem fazer milagres. O fim das rugas, o clareamento das manchas, a redução da celulite. Quase tudo parece possível no mundo dos cosméticos com nanotecnologia. Nova mania mundial, esses produtos começam a ganhar adeptos no Brasil.
Não abro mão do meu creme contra celulite que usa nanotecnologia, conta a professora Andréa Müller, 31 anos, uma das defensoras dos produtos. Sou vaidosa e os resultados estão sendo excelentes. Minha pele melhorou tanto que não fico mais sem, confessa.
Nanotecnologia em cosméticos nada mais é do que o uso de partículas de substâncias já comumente encontradas nos produtos, como a vitamina C, reduzidas a um bilionésimo do metro. Bem menores, elas conseguem penetrar mais fundo na pele e, dessa forma, agir de forma mais eficaz, explicam os pesquisadores.
O problema dessa tecnologia é que não se sabe ainda o que pode acontecer se as micropartículas ultrapassarem as camadas mais profundas da derme e caírem na corrente sangüínea.
A dermatologista Carolina Ferolla, de São Paulo, confirma que a procura por produtos com nanotecnologia tem aumentado a cada mês. Como alguns deles precisam de receita médica, tem paciente que marca consulta só para pedir o creme. Está virando uma mania.
Não é preciso, porém, procurar um dermatologista para ter acesso a cosméticos com nanotecnologia. O Boticário, por exemplo, lançou neste ano o Nanopeeling Renovador, kit de esfoliação com nanoemulsão que promete funcionar como um poderoso antiidade. No ano passado, a empresa lançou o Nanoserum anti-sinais, também para combater o envelhecimento.
O Boticário mantém um laboratório com 30 pesquisadores, que estão em busca de aplicações cosméticas da nanotecnologia. O mesmo está fazendo a Natura. Há três anos, a empresa investe em pesquisas sobre o assunto. Em março, lançou Brumas de Leite Hidratante, que hidrata por 24 horas, tendo rápida absorção graças à nanotecnologia. Recentemente, a Natura colocou à venda o Spray Corporal Refrescante, para o público masculino.
Já a Galena Farmacêutica oferece substâncias feitas à base de nanotecnologia que prometem resultados nas primeiras aplicações. O X-Solve, lançado em maio, é um deles. O ativo tem como objetivo melhorar celulite e estrias em 30 minutos após aplicação. Em 2006, a empresa havia lançado um produto para tratar manchas na pele e outro que diz reduzir 2,5 cm no diâmetro abdominal em seis semanas. As substâncias estão à venda em farmácias de manipulação, mas precisam de receita. (D.T.)


