Geralmente é nos bailes, ao som de um bolero, de um xote ou até mesmo de uma valsa, que os namoros costumam começar. Foi assim com Amélia, 72 anos, e Joaquim, 84. ‘‘Vi esta garota lᒒ, ele conta, ‘‘quando fui cumprimentar uma amiga.’’ Logo, ele a estava convidando para dançar. ‘‘Sou mesmo de chegar’’, afirma, orgulhoso.
Quando ele ‘‘chegou’’ de forma tão impetuosa, Amélia gostou dele de imediato. ‘‘Achei-o muito charmoso, delicado, gentil e, é claro, um galanteador!’’ O certo, como ambos revelam, é que ‘‘ela nunca mais dançou com outro’’. A admiração mútua rendeu um namoro que não tem prazo para terminar, já que ambos são viúvos e não querem mais se casar. ‘‘É cada um em sua casa’’, esclarece Amélia, ‘‘assim quando nos encontramos é aquele amor!’’
Com Lazinha, 82 anos, e Sebastião, 84, também foi assim: tudo começou num baile de uma tarde de quinta-feira. Ele a procurou, ela se interessou e, no sábado seguinte, já estavam trocando telefones. ‘‘Foi um ‘tchan’ que deu na hora’’, ele confessa. Lazinha, contudo, ficou meio desconfiada de que ele não fosse viúvo, como afirmava. Só foi acreditar mesmo quando ele a apresentou à filha, ‘‘que confirmou tudo’’.
Conhecidos pelos amigos como o ‘‘casal de pombinhos’’, vivem trocando presentes, sem que seja necessária uma data especial para motivar o carinho. Como cada um vive com uma filha, preferem não morar juntos, ‘‘para não causar nenhum tipo de estranhamento familiar’’. Namorar é muito melhor: frequentam as reuniões da Associação Comunitária dos Idosos, em Londrina, os bailes que ali são realizados e viajam juntos, com o único compromisso de usufruir do prazer da companhia um do outro.
Já Bernardo, com 80 anos, e Judith, com 83, optaram por viver juntos há 3 anos. ‘‘É muito triste a solidão’’, comenta Judith, viúva duas vezes, e a quem coube a iniciativa de se mudar para a casa do então namorado. Os familiares de ambos gostam muito dos dois e incentivam a parceria. ‘‘Os filhos têm suas próprias vidas’’, reflete Judith, ‘‘é justo que tenhamos a nossa.’’
Viúvo há 12 anos, Olício ficou 8 anos ‘‘sem ir atrás de nada’’. Também foi assim com Cida, que dos 32 anos de viuvez, passou cerca de 20 sem se interessar por ninguém. Mas a vida se encarrega de oferecer novas oportunidades a quem não se nega a enxergá-las e, assim, há 6 meses, Olício, 75 anos, e Cida, 61, começaram a namorar.
Conheceram-se na Associação e a ‘‘coincidência’’ que os aproximou foi terem sido convidados a participar do clube pela mesma pessoa, uma sobrinha de Olício, que também era muito amiga de Cida. ‘‘Desde que entrei, gostei dela’’, ele confessa. Para ela, ‘‘é importante ter um companheiro para conversar, para passear.’’ Mas recomenda aos interessados em namorar que, antes de iniciar um relacionamento, conheçam bem a pessoa, ‘‘para que esse companheirismo possa ser aproveitado da forma mais prazerosa possível.’’ (A.S.)
Um lugar para ser feliz
A Associação Comunitária dos Idosos, em Londrina, existe há 25 anos e reúne cerca de 300 associados com idades que variam de 45 a 90 anos. Sua proposta é oferecer a quem já chegou à terceira idade a oportunidade de um relacionamento prazeroso. Para isso, não faltam opções, como jogos de bingo e baralho, palestras, almoços festivos, piqueniques, passeios e, especialmente, bailes, abertos à comunidade, pois são a única fonte de renda da Associação.
Rua Mar Del Plata, 41 (Vila Brasil), Fone (43) 324.5697 (A.S.)

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