Casar de véu e grinalda, com damas de honra entregando as alianças no altar, festa e celebração após a cerimônia, sempre foi o sonho de muitos homens e mulheres. Porém, hoje em dia, o casamento de "papel passado" – como dizem os mais antigos – tem se tornado cada vez menos atraente para muitos casais, que optam por um relacionamento estável, morando sob o mesmo teto, ou não. De tão recorrente, eles ganharam um nome: trata-se dos "namoridos".
O termo – que não consta nos dicionários, mas já apresenta 43.900 referências no site de pesquisa Google – é um neologismo criado a partir da junção de "namorado" com "marido". É usado para designar os casais que dividem os mesmos problemas e soluções, mas que por alguma razão não se interessam em formalizar o casamento.
É o caso de Geisi Franciele Rizzo, 26 anos, e Marcos Henrique Santos, 40. Eles namoram há dois anos e há um ano e dois meses moram sob o mesmo teto. "Como vivemos juntos e dividimos as responsabilidades e alegrias, me sinto casada. Por isso digo que somos namoridos, não gosto da palavra amasiados", afirma. O que os diferencia de alguns outros casais nessa situação é que eles pensam, sim, em oficializar a união, porém, sem uma data definida. "A verdade é que minha mãe sempre achou a oficialização de um relacionamento uma bobagem. Ela dizia que o que importava era o respeito e o amor entre o casal. Eu cresci com isso e hoje acredito que a consciência do casal vale muito mais que um contrato", afirma Geisi. Mas a vontade de subir ao altar existe, porém, só para Marcos, cuja questão tem uma importância maior. "A situação que vivemos é a mesma de qualquer homem e mulher casados. Mas acho a benção do padre na igreja muito importante e faço questão de tê-la um dia", afirma o empresário.
De acordo com a psicóloga Iara Monteiro de Castro, a tendência não traz consequências negativas para a estrutura familiar. "Há casais que escolhem morar em casas separadas e desfrutam de um relacionamento saudável e outros que compartilham o mesmo teto e estão emocionalmente distantes e vivendo de forma disfuncional. O importante na relação é o respeito, a fidelidade, o amor, a confiança. E tudo isso não depende da escolha de estar, ou não, oficialmente casados", explica.
O contrato
Mesmo não sendo adeptos à oficialização da união, Geisi e Marcos fizeram um contrato de união estável. Ela explica que a decisão foi devido às vantagens que teriam ao se associarem a um clube da cidade. "Além disso, esse contrato estabelece direitos e deveres como se fôssemos casados, é uma segurança para nós dois", afirma a secretária.
Entenda a união estável
A Constituição Federal, em seu artigo 226, §3º, reconheceu a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, e ainda, a fim de facilitar, instituiu sua conversão em casamento. De acordo com o Código Civil, "é reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família".
Segundo a advogada Beatriz Terezinha da Silveira Moura, o Código Civil não estabelece mais um período determinado como era há pouco tempo. Muito embora o fator tempo seja importante para constatação da união estável, ele não é absoluto, pois existem casos em que, independentemente do tempo da união, a entidade familiar fica caracterizada. Morar sob o mesmo teto também não é requisito para estabelecer esse tipo de união.
Em relação ao contrato de união estável, a advogada afirma que é algo importante e que deveria ser mais recorrente entre os inúmeros casais que se enquadram nesse tipo de união, já que evita problemas posteriores, caso o relacionamento tenha fim.
Ela afirma também que as diferenças entre união estável e casamento existem e uma delas é em relação à partilha de bens. Enquanto no casamento o pacto pré-nupcial abrange os bens adquiridos antes do casamento, na união estável a convenção não pode abranger os bens anteriores ao início da convivência. Já em relação aos deveres, Beatriz explica que são praticamente os mesmos. O artigo 1724 do Código estabelece as relações pessoais entre os companheiros, que devem obedecer aos deveres de lealdade, respeito e assistência, e de guarda, sustento e educação dos filhos.


Imagem ilustrativa da imagem ‘Namoridos’ com muito orgulho
Para Geisi Rizzo e Marcos Santos, o relacionamento é como o de qualquer casal, com divisão de responsabilidades, alegrias e problemas