Na ponta da língua
Muitos estudantes de inglês têm um vocabulário razoável, se dão bem com a gramática mas, na hora de falar o idioma, encontram dificuldades para ir além do famoso the book is on the table. Independente dos anos de estudo, dos professores e até das viagens ao exterior, a dificuldade em desenvolver um diálogo em inglês continua fazendo vítimas, entre os mais de 20 milhões de brasileiros que estudam esta língua no Brasil.
O primeiro fator que justifica essa dificuldade reside na educação de base deficitária, fundamentada principalmente no ensino da gramática e pautada numa didática fragmentada e descontinuada. Muitos professores avaliam que os adultos manifestam, ainda, uma tendência natural de pensar em português e depois traduzir a frase para o inglês, em vez de tentar compreender o sentido da língua.
No Brasil, o inglês mudou de função social, tornou-se um idioma necessário ao trabalho, aos negócios e à pesquisa. Consequentemente, não poderia ser ensinado da mesma maneira. As escolas elegeram o ensino instrumental, ou ensino para fins específicos, mais direcionado às necessidades dos alunos, a fim de solucionar esses obstáculos. O mercado impôs uma metodologia no ensino mais ágil. Os teóricos também intensificaram os estudos sobre o processo ensino-aprendizagem do idioma.
Dorico da SilvaTodos estão aprendendo. Não há por que ter medo de cometer erros, avalia o professor Alan ThomasLimitar um idioma apenas pela gramática é um erro. Para aprender uma nova língua, é preciso outros elementos como a semântica, a fonética, a fonoaudiologia e também o contexto. Tudo isso precisa ser levado em conta. O que você fala, como e com quem, observa a professora Maria Regina Filgueiras dos Reis, sócia-proprietária do College Language Center, escola cuja metodologia de ensino é voltada para as necessidades do aluno.
Mistificou-se que o adulto aprende com dificuldades. Existem pontos positivos no aprendizado dos adultos, como a inexistência de problemas de disciplina. Há mais motivação, as necessidades são mais delimitadas e o adulto possui uma maior capacidade de abstração, pondera. Outra consideração feita por Maria Regina é que o brasileiro possui facilidade na pronúncia da língua inglesa.
Uma das saídas indicadas pela professora é a dessensibilização do aluno, para que ele supere o medo de correr riscos e de cometer erros ao conversar, possibilitando ver a língua inglesa com outros olhos. Outra alternativa é inserir o aluno em situações interativas, em que ele fale em contextos diferentes e reais. Mas é fundamental o aluno readquirir autoconfiança e auto-estima, reflete. Quanto maior o interesse, maior será o seu progresso. Ela considera importante também o aluno não ficar pulando de escola em escola, quando encontrar uma que atenda suas necessidades e expectativas.Cesar AugustoOs alunos que apresentam dificuldade na conversação, muitas vezes, são fruto do ensino pautado na tradição gramatical, constata a professora Maria Regina Filgueiras dos ReisFrancelino França





