A criança respira pela boca, ronca durante o sono e não tem apetite. Da preocupação dos pais ao diagnóstico de adenóide aumentada, normalmente não se perde muito tempo. O que pode demorar é a decisão de fazer a cirurgia. Quanto mais cedo a operação é feita, sobretudo antes dos três anos, maior a chance de o problema voltar a ocorrer. Embora a repetição só ocorra na minoria dos casos, na hora de recomendar a cirurgia ela deve ser considerada. Os médicos observam a idade do paciente e o grau de alteração da adenóide e avaliam se o desconforto causado justifica a cirurgia.
  A operação, que faz uma ‘‘raspagem’’ da adenóide, é mais recomendada entre os três e os sete anos. Quando a criança chega a ficar alguns segundos sem respirar durante o sono (apnéia noturna), a cirurgia deve ser feita logo. Se o problema não é tão grave, é possível aguardar um pouco, já que a adenóide diminui com o tempo.
  Essa glândula, localizada na faringe, é um tecido de defesa que fornece informações para a produção de anticorpos contra microorganismos presentes no ar. As amígdalas – cujo aumento exagerado está quase sempre associado ao da adenóide – fazem o mesmo com ‘‘invasores’’ presentes nos alimentos. ‘‘A adenóide ‘grava’ a memória imunológica que será utilizada para o resto da vida’’, diz Ney Penteado de Castro Júnior, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador do departamento pediátrico da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia.
  Pesquisa da Organização Saúde Otorrino, mostra que o aumento de adenóide e amígdalas é a quarta doença tratada pela otorrinolaringologia mais freqüente entre crianças. Perde só para a rinite alérgica, a otite média (inflamação no ouvido) e a respiração bucal relacionada à má postura.
  Estudo realizado pela organização com 2.039 crianças de duas comunidades carentes da zona sul de São Paulo, mostra que o problema atinge 2% das crianças em geral e 10% das que têm alguma doença de ouvido, nariz e garganta. Entre as que têm doenças, apenas 2% já tinham sido atendidas por um médico.
‘‘São comuns casos em que os pais não percebem alterações na criança, pois acham que é normal respirar pela boca, por exemplo’’, afirma o presidente da Organização Saúde Otorrino, Oswaldo Laércio Mendonça Cruz, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Crescimento No nascimento, a adenóide está retraída, mas cresce de forma lenta e progressiva até atingir seu ponto máximo, normalmente aos sete anos. A partir dos dez, começa a diminuir e, por volta dos 15, já está novamente retraída.
  Quando aumenta muito, a adenóide pode inviabilizar a respiração pelo nariz. ‘‘O ar respirado pela boca é mais frio, seco e impuro. A pessoa fica mais sujeita a infecções respiratórias’’, diz o diretor da Fundação Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP, Edigar Rezende de Almeida. Dependendo da idade e da duração do problema, podem ocorrer alterações no céu da boca e na arcada dentária.
  Em adultos, que praticamente não têm adenóide, o aumento pode estar relacionado a doenças como Aids e mononucleose.

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