''Os meus seios sempre foram muito maiores do que os das meninas da minha idade, tanto que eu só usava camisetas largas porque sentia vergonha''. O desabafo é da assistente administrativa Cibelli Nunes Scarpim, que seguiu o caminho oposto da maioria das mulheres da atualidade. Ao invés de recorrer à cirurgia plástica para a colocação de silicone, recentemente ela encarou os bisturis para diminuir o tamanho dos seios, que ultrapassava as medidas convencionais.
O problema, segundo ela, acarretava muita dor na coluna e a parte das costas onde ficava as alças do sutiã ''afundou'' devido ao peso que carregava. A situação se agravou após as gestações de seus dois filhos, hoje com três e um ano de idade. ''Na primeira gestação os meus seios já aumentaram consideravelmente e passei a usar sutiã dois números maiores do que estava acostumada. Na segunda gravidez o tamanho aumentou mais um número. Já não encontrava sutiã em lojas normais, somente em locais específicos para tamanhos maiores'', conta Cibelli, ressaltando que mesmo após o nascimento dos filhos e do período de amamentação, os seios não voltaram ao tamanho que eram, o que aguçou ainda mais a vontade de reduzí-los.
''Sempre quis diminuir os seios, mas se fizesse isso antes da gestação poderia correr o risco de não amamentar. Por isso, esperei o nascimento dos meus dois filhos para fazer a cirurgia tão sonhada'', relata. O apoio do marido e de toda a sua família, de acordo com ela, foi fundamental.
Cibelli considera que a cirurgia foi um sucesso e a recuperação muito tranquila. ''Fiquei 15 dias erguendo o braço somente até a altura do ombro e só pude pegar peso cerca de 40 dias após o procedimento. Não senti muita dor e tomei remédio em poucas ocasiões'', diz, acrescentando que ficou com uma pequena cicatriz, mas que não se incomoda com isso pois ''não existe nada melhor do que realizar o sonho de usar uma blusa tomara que caia ou frente única.''
Cibelli não esconde que a mudança mexeu com a sua autoestima. Ela afirma que está se sentindo mais bonita e admite que pensa até em fazer nova cirurgia para diminuir um pouco mais os seios.
Gigantomastia
Segundo o cirurgião plástico Ricardo Strang, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a cirurgia de redução de seios - conhecida como mastoplastia redutora - é indicada para minimizar as lesões decorrentes do peso excessivo das mamas ou por questões estéticas.
''O principal problema de saúde decorrente do tamanho excessivo das mamas é a dor crônica na região da coluna dorsal, pelo esforço permanente da musculatura'', pontua o médico.
Ele explica que volumes mamários exagerados são chamados de gigantomastias e trazem os mesmos problemas, mas de forma potencializada, além de outras patologias como intertrigos e micoses cutâneas, pela dificuldade de manter a pele das mamas higienizada e seca.
O problema pode ser classificado em graus. Os graus I e II correspondem a aumentos subjetivos, já o grau III apresenta sintomas físicos, como dores nas costas. No grau IV, o mais severo, os sintomas são mais agressivos e os seios possuem um tamanho desproporcional.
Em princípio, qualquer pessoa que goze de boa saúde pode submeter-se à cirurgia de redução. O cirurgião alerta, no entanto, que evita-se operar pacientes ainda na puberdade - somente em casos de hipertrofias puberais. ''Pacientes idosas, que têm condições clínicas desfavoráveis e necessitam reduzir as mamas por razões médicas, são operadas seguindo técnicas mais rápidas e menos traumáticas'', ressalta Ricardo Strang.

Imagem ilustrativa da imagem Na contramão do silicone
| Foto: Renata Cabrera
A assistente administrativa Cibelli Scarpim: ‘‘Esperei o nascimento dos meus dois filhos para fazer a cirurgia tão sonhada’’