Na cartilha da autonomia
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sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Com 15 anos de experiência com o método Montessori, Gina Mangeot não escolheu por acaso o nome da escola que acaba de inaugurar em Londrina: Clover Montessori. O trevo de quatro folhas, clover em inglês, lembra os quatro pilares do método educacional desenvolvido pela italiana Maria Montessori.
"Um dos pilares é o ambiente cientificamente preparado, o professor é o elo, que faz o link entre o ambiente e a criança. A criança se autoeduca, mas o professor precisa ficar atento onde a criança está para direcioná-la. O segundo pilar é a autonomia, mas dentro do que a gente oferece para ela dentro da sala de aula. O terceiro pilar é a idade mista, que ajuda a criança mais velha a atuar como um líder. E a criança menor aprende como viver em comunidade. É um sistema rotativo, onde a menor vai ser líder em dois anos. O quarto é a concentração, a criança tem um tempo para fazer a atividade, para se concentrar", explica.
Surgido há mais de um século, o método criado por Maria Montessori ganhou o mundo com suas ideias diferenciadas. "Há cem anos, ela dizia que as mãos são os instrumentos da mente. O que ela queria dizer é que se as coisas chegarem até você, você desenvolve o seu cérebro. Esse é o lema maior dela, que coloca a criança para interagir com esse meio ambiente", aponta Gina para a sala que abriga crianças de 3 a 6 anos.
"O que as pessoas não entendem muito bem e questionam é se a criança só faz o que quer. Não é bem assim. A criança faz o que quer dentro do que tem disponível aqui", ensina. "Ela não está numa sala qualquer", completa. Segundo Gina, uma das bandeiras do método é a independência das crianças. "Todos os pratinhos e copos são de vidro. A gente faz isso porque quer que a criança entenda que é preciso cuidar, que essas coisas quebram. E se quebrar, vai aprender a limpar."
Enxergando além
As experiências como estudante ajudaram Gisele Favoretto a criar, 11 anos atrás, um projeto diferente de escola. Foi assim que surgiu a Apoena, que hoje atende crianças do berçário ao Ensino Fundamental. "Cresci com um incômodo, sentia que a escola fazia desperdiçar o tempo das pessoas, aquele desejo do estudante contar o dia para a acabar as aulas. É triste passar a vida assim, contando os dias para acabar", define.
"Com muita pesquisa e estudos em autores e cientistas da educação, fundei a escola. Também aprendi, na vida como estudante, o que não se deve fazer. Essa é uma escola aberta para a vida, a vida está dentro da escola. Todos os dias as crianças têm experiências que são ligadas à infância e ao seus centros de interesse. A criança é protagonista aqui", afirma Gisele, que também destaca a equipe de professores. "São muito dedicados, gente com desejo de criar, que não quer só reproduzir um padrão."
"A infância é uma época privilegiada da vida. Quando a pessoa tem a possibilidade de viver a infância plenamente, sendo respeitada, ela tem a oportunidade de se conhecer melhor no futuro", acrescenta Gisele.
Em um dia, as crianças podem ter desde brincadeiras com fantasias a trabalhos matemáticos. "Tem uma grade curricular como se encontra em qualquer escola. A diferença maior é o modo como se trabalha os assuntos. Primeiro vamos ver o que as crianças sabem sobre aquele assunto e o que elas querem saber sobre aquilo. Elas falam muito na aula e as salas são feitas para se trabalhar em grupo", relata Gisele. "Os professores podem reorganizar os dias de trabalho de acordo com as demandas dos grupos e por isso aqui os grupos são pequenos."




