Música para amar
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Como num passe de mágica, a vida pode se transformar num filme. Ou num seriado de indeterminadas temporadas. Basta que uma canção aquela canção toque para dar início ao enredo. Seja para voltar às cenas que você guarda com todo carinho do mundo ou para abraçar o presente de agora. E os beijos, quando acompanhados de uma bela música, acabam conduzindo o clima do romance.
O filme My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado), dirigido por Wong Kar-Wai, é a mais recente produção que ilustra com delicadeza e sensualidade o equilíbrio entre roteiro e trilha sonora. Protagonizado por Jude Law e a cantora Norah Jones, as músicas desvelam uma combinação pontual entre ilustres da soul music, como Otis Redding (Try a Little Tenderness), e novas estrelas do pop-folk e jazz, caso de Cassandra Wilson (Harvest Moon). Norah Jones também comparece com a inédita The Story, composta durante as gravações do filme, com trilha assinada por Ry Cooder. Aperte o play e se entregue às emoções.
Ouça também:
- Madeleine Peyroux (Half The Perfect World) Permeado de canções de amor, o jazz contemporâneo da cantora desfila um estilo vocal que muito lembra Billie Holiday. Destaque para Looking For.
- Fernanda Takai (Onde Brilhem os Olhos Seus) A vocalista do Pato Fu evoca grandes mestres como Chico Buarque, Nelson Cavaquinho, Tom Jobim e Vinicius de Moares para homenagear Nara Leão. Com loops, grooves e o inconfundível timbre delicado de Fernanda, o disco se mostra essencialmente contemporâneo.
- Carla Bruni (Quelquun Ma Dit) Da moda para o mundo da música. As músicas foram compostas e cantadas por Carla em francês e italiano. LAmour é uma das mais envolventes da bela que conquistou o presidente da França, Nicolas Sarkozy
- Ana Cañas (Amor e Caos) Em sua estréia, a paulistana mostra seu contralto na atmosfera jazzística que permeia todo o CD. Os improvisos vocais, experenciados em jam sessions, podem remeter a Ella Fitzgerald.
- Cat Power (Jukebox) A americana Chan Marshall, com sua voz rouca e ao mesmo tempo doce, desconstruiu um dos clássicos de Sinatra, New York, New York, para uma pegada extremamente sensual.
- CéU Uma das sensações no cenário musical, a palistana CéU mostrou, em seu primeiro disco, o que absorveu durante a vida: afrobeat, jazz, R&B, hip hop e o que houver na raiz da música brasileira. Destaque para todas as faixas.
- Feist (The Reminder) Com estilo retrô-cool, Leslie Feist canta com sutileza as faixas que exaltam seu rock indie. Longe de ser convencional, o álbum sugere uma atmosfera quase etérea. Minimalista, a faixa Brandy Alexander fascina na primeira conferida.
- Kátia B (Espacial) Considerada a nova Bebel Gilberto, Kátia Bronstein, interpreta suas músicas com bossa, batidas lounge e a interessante mistura entre acústico e eletrônica. Confira Espacial, que dá nome ao disco.
- Gotan Project Um dos gêneros mais sensuais da dança, o tango surge acrescido de arranjos eletrônicos, como proposto por esse grupo parisiense. Vale cada faixa do disco.
- Amy Winehouse (Back to Black) Soul e R&B atualíssimos. A inglesa, além de adorar confusões, ama o que canta em cada frase do disco com sua voz encorpada. Os arranjos de metais dão um show a parte.


