Como num passe de mágica, a vida pode se transformar num filme. Ou num seriado de indeterminadas temporadas. Basta que uma canção – ‘‘aquela’’ canção – toque para dar início ao enredo. Seja para voltar às cenas que você guarda com todo carinho do mundo ou para abraçar o presente de agora. E os beijos, quando acompanhados de uma bela música, acabam conduzindo o clima do romance.
  O filme My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado), dirigido por Wong Kar-Wai, é a mais recente produção que ilustra com delicadeza e sensualidade o equilíbrio entre roteiro e trilha sonora. Protagonizado por Jude Law e a cantora Norah Jones, as músicas desvelam uma combinação pontual entre ilustres da soul music, como Otis Redding (Try a Little Tenderness), e novas estrelas do pop-folk e jazz, caso de Cassandra Wilson (Harvest Moon). Norah Jones também comparece com a inédita The Story, composta durante as gravações do filme, com trilha assinada por Ry Cooder. Aperte o play e se entregue às emoções.

Ouça também:
- Madeleine Peyroux (Half The Perfect World) – Permeado de canções de amor, o jazz contemporâneo da cantora desfila um estilo vocal que muito lembra Billie Holiday. Destaque para Looking For.
- Fernanda Takai (Onde Brilhem os Olhos Seus) – A vocalista do Pato Fu evoca grandes mestres como Chico Buarque, Nelson Cavaquinho, Tom Jobim e Vinicius de Moares para homenagear Nara Leão. Com loops, grooves e o inconfundível timbre delicado de Fernanda, o disco se mostra essencialmente contemporâneo.
- Carla Bruni (Quelqu’un M’a Dit) – Da moda para o mundo da música. As músicas foram compostas e cantadas por Carla em francês e italiano. L’Amour é uma das mais envolventes da bela que conquistou o presidente da França, Nicolas Sarkozy
- Ana Cañas (Amor e Caos) – Em sua estréia, a paulistana mostra seu contralto na atmosfera jazzística que permeia todo o CD. Os improvisos vocais, experenciados em jam sessions, podem remeter a Ella Fitzgerald.
- Cat Power (Jukebox) – A americana Chan Marshall, com sua voz rouca e ao mesmo tempo doce, desconstruiu um dos clássicos de Sinatra, New York, New York, para uma pegada extremamente sensual.
- CéU – Uma das sensações no cenário musical, a palistana CéU mostrou, em seu primeiro disco, o que absorveu durante a vida: afrobeat, jazz, R&B, hip hop e o que houver na raiz da música brasileira. Destaque para todas as faixas.
- Feist (The Reminder) – Com estilo retrô-cool, Leslie Feist canta com sutileza as faixas que exaltam seu rock indie. Longe de ser convencional, o álbum sugere uma atmosfera quase etérea. Minimalista, a faixa Brandy Alexander fascina na primeira conferida.
- Kátia B (Espacial) – Considerada a nova Bebel Gilberto, Kátia Bronstein, interpreta suas músicas com bossa, batidas lounge e a interessante mistura entre acústico e eletrônica. Confira Espacial, que dá nome ao disco.
- Gotan Project – Um dos gêneros mais sensuais da dança, o tango surge acrescido de arranjos eletrônicos, como proposto por esse grupo parisiense. Vale cada faixa do disco.
- Amy Winehouse (Back to Black) – Soul e R&B atualíssimos. A inglesa, além de adorar confusões, ama o que canta em cada frase do disco com sua voz encorpada. Os arranjos de metais dão um show a parte.

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