Há algum tempo, as mães diziam que para crescer e ficar forte era preciso comer bastante e comer de tudo, numa tentativa geralmente frustrada de convencer os filhos a encher o prato de alimentos pouco apreciados pelos pequenos. Se a preocupação de crescer não atinge as pessoas quando crianças, na adolescência ela vem com força total. Principalmente para os homens, crescer e ficar forte é fundamental para a auto-estima.
Mas ao invés de seguir os conselhos das mães e comer bastante e de tudo, os jovens descobriram uma maneira mais fácil e rápida de desenvolver o corpo, perder gordura e ganhar músculos: os suplementos alimentares. Vendidos sem necessidade de receita médica e tidos como poções mágicas por frequentadores das academias, esses produtos ganham cada vez mais espaço nos supermercados e lojas especializadas, com mais fórmulas de sabores variados e mais adeptos. O problema é que, se tomados de forma inadequada, os suplementos podem trazer riscos para a saúde, principalmente para os sistemas renal e hepático.
Problemas hepáticos ''Os produtos mais consumidos são os suplementos de proteína. Como eles são metabolizados pelos rins, pode haver uma sobrecarga e, para quem tem tendência a problemas, aumentam as chances os suplementos de ferro e vitamina A podem trazer complicações hepáticas se tomados em excesso'', afirma o nutricionista Rodolfo Peres.
Segundo ele, os suplementos são produtos naturais que, se tomados com segurança, substituem o papel dos alimentos. ''Costumo dizer que o suplemento é o alimento em pó. Quando a alimentação não supre as necessidades do corpo, por falta de tempo ou vontade de se alimentar, os suplementos são uma boa opção, porque são rápidos e gostosos. Mas não é porque é natural que não faz mal. A diferença entre o remédio e o veneno é a quantidade. Se tomados em excesso, eles podem ser prejudiciais'', alerta Rodolfo
Casos de produtos que foram retirados do mercado podem dar uma idéia do perigo da suplementação inadequada. O nutricionista cita a efedrina, substância produzida pelo organismo e que era utilizada para ajudar na queima de gordura. ''O problema é que ela aumentava a temperatura do corpo e a pressão sanguínea. Acabou saindo do mercado por isso'', conta. ''Outro risco dos suplementos é que não podemos afirmar com certeza que eles não contenham anabolizantes. Me lembro de um corredor americano que foi pego no exame antidopping por que tomou um suplemento que continha esteróides'', lembra a nutricionista Katia Tiemi Tookuni.
Indicações De acordo com Rodolfo, nem todo mundo necessita tomar suplementos. ''A suplementação é indicada para praticantes de esporte, mas não para todos, para pessoas com algumas enfermidades que dificultam a alimentação, como câncer e Aids, e pessoas idosas, que começam a sofrer de falta de nutrientes'', diz. Para os demais, o especialista garante que apenas a alimentação equilibrada é suficiente. ''O Whey Protein, por exemplo, que quase todo mundo que faz musculação toma, pode ser substituído por alimentos ricos em proteínas, como a clara do ovo. O Ômega 3 pode ser encontrado em peixes e assim por diante. A suplementação é necessária apenas para alguns casos'', garante.
Para ter a segurança na hora de tomar suplementos alimentares, a recomendação é sempre procurar um nutricionista e, se possível, um médico. ''Isso porque precisamos saber se a pessoa não tem risco de alguma doença, como diabetes, pressão alta e problemas nos rins, pelo histórico familiar. Fazer uma avaliação com um médico seria melhor ainda. O nutricionista pode avaliar a vida do paciente e determinar o que ele deve tomar e em que quantidade para alcançar determinado objetivo. Ir a uma loja, comprar um produto e começar a tomar não é a melhor opção. Outro erro é que quando os suplementos começam a fazer efeito, as pessoas aumentam a dose por conta própria, sem procurar um especialista. É aí que podem surgir os maiores problemas'', alerta.
Riscos Segundo o médico especialista em medicina esportiva Aureo Shizuto Cinagawa, é preciso alertar os jovens que buscam soluções milagrosas em suplementos alimentares. ''As pessoas têm que fazer exercícios para uma vida saudável e, para mim, músculos demais não são sinônimos de saúde. As pessoas tomam anabolizantes e suplementos e esquecem dos problemas que eles podem trazer'', afirma.
Apesar dos riscos, Rodolfo, que toma três tipos diferentes de suplementos, lembra que eles não devem ser confundidos com anabolizantes. ''Os anabolizantes são remédios sintéticos que dão um resultado muito grande e muito rápido a um custo alto para a saúde. Já os suplementos ajudam a conseguir alguns resultados, mas não fazem milagres. Sem exercício físico não adianta tomar'', afirma. n

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