Mulheres possíveis
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quinta-feira, 04 de março de 2010
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
Conciliar vida profissional, cuidados com filhos, marido, casa e ainda ter tempo para cuidar de si mesma vale a pena? Para quem olha de fora, manter uma rotina tão sobrecarregada parece tarefa impossível, ou no mínimo estressante o bastante para enlouquecer qualquer um. Uma questão que sempre está no ar e ganha mais força às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março.
Em sua experiência clínica e nos treinamentos que aplica a grupos de mulheres, a psicóloga Gislene Isquierdo assinala que a maioria de suas pacientes se encaixa no perfil ''dupla jornada de trabalho''. Na opinião da especialista em análise do comportamento, manter uma rotina puxada não é motivo de sofrimento, nem culpa. ''É saudável, não faz mal. A mulher desenvolveu habilidades para dar conta de várias atividades ao longo do dia e, hoje, a maioria delas leva uma vida atribulada'', conta.
A dica da psicóloga para conseguir dar conta do batente é repor as energias. ''É preciso descobrir o que se gosta de fazer, seja sair com as amigas, ler um livro ou praticar esportes'', sugere. ''Assim como o carro precisa de combustível, qualquer pessoa tem de repor as energias'', compara.
Segundo ela, a falta de prazer e alegria gera desânimo e irritabilidade, em um processo crescente e cumulativo. ''Se a mulher estiver bem-humorada e tranquila, vai ter disposição para realizar todas as atividades e se relacionar melhor com a família''.
Para quem tem dúvidas e chegou a um ponto que precisa escolher entre família ou carreira, Gislene adverte para um possível equívoco. ''Dedicar-se exclusivamente à família não significa ter uma vida tranquila. Cuidar da casa e dos filhos são tarefas difíceis. É comum ouvir reclamações de que o trabalho em casa não tem fim. A mulher que tem filhos e não trabalha fora também possui uma rotina cansativa'', alerta.
Para as estressadas, a psicóloga recomenda também refletir sobre as escolhas de vida. ''Não custa nada se perguntar por que a agenda anda tão cheia, onde se quer chegar com as escolhas feitas ou se é realmente necessário fazer tudo tão perfeito. Tem gente que entra no turbilhão da correria e não se questiona a respeito. É importante refletir um pouco e organizar as prioridades''.


