Mulheres na contramão
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Algumas décadas atrás, a razão para a vida de uma mulher era se casar e ter filhos. Não encontrar marido e ficar para ''titia'' eram medos que povoavam os pesadelos das moças de antigamente. Com a revolução dos costumes, os objetivos das jovens hoje são bem diferentes. Mais independentes e ousadas, elas querem estudar, conseguir um bom emprego, ter sucesso na carreira, morar sozinhas. Para o descontentamento de muitas avós, a moçada hoje nem pensa em casar e construir família tão cedo.
Mas nas duas gerações é possível encontrar aquelas que se rebelaram contra os costumes e seguiram na contramão da maioria (veja depoimentos nos boxes). Mulheres que optaram por não se casar, ainda que isso fosse quase regra na sua época, e outras que largaram os estudos e a busca pelo sucesso profissional em nome do amor, ainda que isso pareça uma loucura.
Escolha ou fuga? Segundo a psicóloga Fátima Cristina Conte, mais importante do que a decisão dessas mulheres em não seguir o ciclo imposto pela sociedade de sua época, é o motivo. ''É preciso entender porque essas mulheres optaram por não se casar ou não estudar. Se a escolha foi por ser mais feliz ou para fugir de algum medo, como o de se relacionar com alguém ou de correr atrás de uma profissão'', afirma.
Para aquelas que pensam em não se casar e não ter filhos, a psicóloga diz que isso é completamente normal. ''A maternidade não é uma necessidade de todas as mulheres, mas uma possibilidade. Abrir mão disso para se dedicar a outras coisas é algo que pode acontecer com qualquer uma. O problema maior está em não ter filhos no tempo certo porque depois de uma certa idade, isso fica muito difícil ou até impossível. É preciso pensar bem antes de uma decisão dessas'', aconselha.
Solidão Outro problema de quem decide viver sem ninguém é a possibilidade maior de solidão. Segundo Fátima, isso não deve ser a razão para casar ou ter filhos. ''A formação de uma família na juventude não é garantia de companhia na velhice. Muitos casais se separam e alguns filhos se desligam dos pais. A pessoa deve, sim, ter seus relacionamentos, hobbies, amigos, ocupações. Não ser aquela tia chata, mas sim uma titia bacana'', diz.
Abrir mão dos estudos e de uma profissão para se dedicar ao casamento e aos filhos também é uma decisão que deve ser tomada com cautela. Para a psicóloga, ser apenas mãe é muito pouco para preencher a vida de uma mulher. ''Assim como para quem não tem filhos, para quem os tem outras atividades são importantes. Ter um foco apenas na vida é o problema. Se dedicar só à família e esquecer o resto é perigoso. Se o casamento acaba, a mulher precisa ter um plano B, saber o que vai fazer da vida. Assim como aquela que abre mão de tudo por causa do trabalho vai ter problemas se um dia o trabalho não der certo'', afirma.
Em ambos os casos, o conselho da especialista é avaliar os prós e os contras das duas decisões e pensar sempre a curto e médio prazo. ''É preciso saber se vai aguentar e dar conta do recado com sua decisão. É uma escolha que não pode ser só emocional, tem que pensar bem antes. Para quem se arrepender vale a pena tentar outra vez. Para quem nunca se casou há sempre a opção de buscar um parceiro. Para quem abandonou os estudo ou o trabalho, sempre dá para voltar. O importante é buscar ser feliz sempre e não se preocupar tanto com as coisas.''n


