As mulheres não estão se destacando apenas no mercado de trabalho, ocupando cargos que antes eram privilégio dos homens. Atualmente, elas também estão conquistando espaço em categorias esportivas que há alguns anos eram reduto exclusivamente masculino. Hoje, por exemplo, existem times de futebol de campo feminino não só no Brasil, mas também em outros países. Porém, a novidade é encontrar uma mulher ocupando o cargo de preparadora física de um time de futebol de campo masculino.
Michele de Souza Garcia, aluna do 4º ano de Educação Física na Unopar, é preparadora física do time infantil da Portuguesa de Londrina, na qual é responsável por 30 jogadores de 12 a 15 anos. Ela é pioneira na área. ‘‘Que eu saiba não existe nenhuma mulher no Brasil que ocupe esse cargo. É mais comum preparadoras físicas de times de futebol masculino de salão, mas de campo eu não conheço’’, diz Michele.
Ela começou a trabalhar no time da Portuguesa como estagiária e há um ano e meio foi contratada. ‘‘A preparação física nessa faixa etária é muito importante porque os jogadores estão com o corpo em formação. É a fase em que o preparador físico precisa lapidá-los para que no futuro eles tenham um bom desempenho em campo’’, observa.
Entretanto, Michele lamenta que a categoria infantil, de uma forma geral, é pouco valorizada, o que é um contra-senso. ‘‘É daqui que podem sair futuros talentos do futebol’’, justifica. Ela diz que assim como o técnico, o preparador físico depende de resultados. ‘‘Se o time vai mal a culpa é sempre nossa. Por isso, é preciso existir uma boa sintonia entre o preparador e o técnico para que os jogadores possam render mais. Eu tenho encontrado no técnico da Portuguesa um grande aliado para meu trabalho’’, comenta.
Michele assegura que seus colegas de curso não estranham seu trabalho, mas a família não vê com bons olhos. ‘‘No início, meu pai e meus irmãos foram contra porque, segundo eles, eu iria trabalhar no meio de homens. Agora estão mais conformados’’, garante. Ela alega que, atualmente, em termos de trabalho e esporte não existem mais áreas masculina ou feminina. ‘‘Nós precisamos continuar lutando para alcançar nossos objetivos e realizar nossos sonhos’’, ressalta Michele.
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Dorico da Silva
As atletas Juliana, Natália e Carmen fazem parte da Seleção Brasileira Feminina de Tae-kwon-do
Campeãs no tae-kwon-do
As londrinenses Juliana Santana, 23 anos, Natália Falavigna, 17 e Carmen Carolina, 22, são as únicas paranaenses que fazem parte da Seleção Brasileira Feminina de Tae-kwon-do. As três estão treinando para participar dos Jogos Pan-Americanos, que serão realizados de 6 a 16 de abril em Bogotá, na Colômbia, e também estão lutando para conseguir uma vaga nas Olimpíadas de Atenas, em 2004.
Carmen Carolina foi campeã nos Jogos Pan-Americanos em 99, nos Estados Unidos, e no Sul-Americano, no Equador, em 98. ‘‘Participei também das Olimpíadas de Sydney, mas não obtive classificação’’. Juliana foi cinco vezes campeã brasileira em jogos na Croácia e Coréia do Sul, já Natália foi campeã mundial juvenil em campeonato realizado na Irlanda.
Apesar de ser um esporte que desperta mais o interesse dos homens, Carmen Carolina diz que no Brasil, atualmente, o tae-kwon-do feminino está se destacando mais que o masculino. ‘‘Estamos em 1º lugar na América do Sul’’, informa. Entretanto, em termos mundiais, as melhores nesse esporte são as chinesas, as coreanas, as espanholas e as turcas.
Segundo Natália, o grande problema ainda é a falta de patrocínio. ‘‘Nossas viagens têm sido feitas na raça. A gente sai pedindo ajuda, mas nem sempre conseguimos’’, reclama a atleta. (C.M)

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